Obras Completas, de Golçaves Crespo

Obras Completas

Golçaves Crespo

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O traço mais proeminente da poesia de António Cândido Gonçalves Crespo, à primeira leitura, mostra-se singelo: a saudade. Nascido no Rio de Janeiro, em 1846 e a partir dos dez anos de idade já vivendo em Portugal, percebe-se, neste sentido, uma vida marcada pelo tema central de seus poemas. A tristeza sutil que Gonçalves Crespo expressou em sua poesia — ora como nostalgia pela distância da terra natal, ora como angústia por um amor irrealizado — é evidente logo na estrofe que abre suas Miniaturas:

“É funda a calmaria.
O mar dorme tranquilo e sossegado,
E o céu daquele dia
É como infindo páramo azulado”.

Maria Amália Vaz de Carvalho, mulher do poeta, escreveria sobre sua obra em 1888: “As Miniaturas e os Noturnos são incontestavelmente, e no dizer de autorizados críticos, dois livros, que podem classificar-se entre as pérolas mais doces, mais preciosas, mais irisadas, da moderna literatura portuguesa”. (CARVALHO, Maria Amália Vaz de. Alguns homens do meu tempo. Lisboa, 1888.)

Apresentamos, então, a edição digitalizada de 1897 das Obras Completas do “parnasiano no bom sentido da palavra”, como Maria Amália o reconheceu.