A marginalização de Fabiano em Vidas Secas: o uso da linguagem nas relações de poder

Isabela Vitória de Oliveira dos Santos

Dados da edição:

Mafuá, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 23, 2015. ISSNe: 1806-2555.

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RESUMO: Dispondo como cenário o sertão brasileiro, Vidas secas problematiza não apenas as relações que os indivíduos estabelecem com o espaço regional, mas inclusive com as pessoas que compõem este lócus. Nesse sentido, o mundo árido construído ao longo da narrativa remete à seca em sentidos múltiplos: a condição natural do campo brasileiro é articulada à carência de perspectiva social das personagens, de modo que aspectos externos e internos a essas vidas entrelaçam-se. Sendo assim, parece ser interessante analisar como a linguagem de Vidas secas explora as relações regionais e sociais, mais especificamente de poder, no sertão nordestino. Considerando, portanto, a dimensão social da obra, o intento deste trabalho é discutir a marginalização de Fabiano, inclusive no que se refere às relações de poder entre ele – que simboliza o oprimido – e seus opressores – representados pelo patrão e pelo soldado amarelo. Para isso, foram analisados excertos de Vidas secas que contribuem para a representação animalística de Fabiano. Percebe-se nas análises iniciais que o processo marginalizante de Fabiano acontece por meio do (não) uso da linguagem, que o papel desta não é apenas defender a posição de si mesmo, mas também a do outro e, principalmente, que Fabiano tem consciência do seu caráter animal, mas resiste a ir de encontro à sua sorte.

PALAVRAS-CHAVE: Vidas Secas; Fabiano; linguagem; poder.

ABSTRACT: Utilizing the Brazilian hinterland as the stage, Vidas secas problematizes not only the relationships that individuals establish with the regional space, but also with the people who constitute this locus. In this sense, the arid world built throughout the narrative refers to the drought in various aspects. In this sense, the natural condition of the Brazilian countryside is articulated to the lack of a social perspective of the characters, so that the external and internal aspects of these lives are intertwined. Thus, it seems interesting to analyze how the language of Vidas secas explores the regional and social relationships. More specifically, the relationships between power and struggles in the Northeastern hinterland. Therefore, considering the social dimension of the book, the intention of this paper is to discuss the marginalization of Fabiano, mainly that regarding power relations among him – who symbolizes the oppressed – and his oppressors – represented by the boss and the yellow soldier. For such reason, there were analyzed extracts of Vidas secas that contribute to Fabiano’s animalistic representation. It can be seen by the initial analysis that the marginalizing process of the character happens through the (non) use of language, that the role of language is not only to defend one’s own position, but also the position other individuals occupy and, primarily, that Fabiano is aware of his animalistic character, but resists going against his fate.

KEYWORDS: Vidas Secas; Fabiano; language; power.