Apresentação

Eduarda da Silva

Dados da edição:

Mafuá, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 23, 2015. ISSNe: 1806-2555.

Como citar este artigo?

Nascida com o propósito de preencher uma lacuna da atividade editorial acadêmica, a Mafuá vem, cada vez mais, reforçando sua missão primeira: oferecer espaço para a publicação da produção intelectual de alunos de graduação. Inicialmente pensada para oportunizar o reconhecimento das primeiras tentativas bem-sucedidas de escrita de análises críticas em forma de artigos, a revista vem novamente ampliando sua área de atuação com base nas demandas de seu público e, dessa vez, cria uma seção específica para a divulgação de obras literárias, ensaísticas consideradas pertinentes às mais novas mentes pensantes da academia: a recém ingressa comunidade graduanda.

A nova seção, “Resenhas”, tem o intuito de tornar conhecida a bibliografia recente que é de interesse dos novos pesquisadores em Literatura, da mesma forma que também abre espaço para o exercício de escrita desse gênero. Essa seção complementar alia-se à mudança de foco da tradicional Metafrasis, que há um semestre deixou de ser uma seção exclusiva para publicação de textos de convidados e passou a aceitar submissões de exercícios de tradução. “Resenhas” e Metafrasis, cada uma de forma específica, acrescentam à revista a função de difundir conteúdos que possivelmente teriam circulação restrita por sua novidade ou pela barreira idiomática.

Longe de querer suprir uma demanda cada vez mais recorrente pela produtividade acadêmica em números, a Mafuá constitui-se como um espaço de legitimação para uma escrita relativamente marginalizada à medida que reconhece a importância da voz que enuncia – ainda imatura, ainda inexperiente, mas não por isso menos capaz de veicular conteúdo academicamente significativo – do ponto mais inicial de uma possível carreira de pesquisa. Ao constituir-se como suporte para essa voz, sem exigir-lhe a experiência – em forma de título – cobrada por periódicos da área, a Mafuá propõe-se reconhecer a qualidade dessa produção acadêmica, mesmo que isso signifique não cumprir critérios de classificação, para assumir um compromisso com o estudo de Literatura, incentivando-o.

Continua ainda, o carro-chefe da revista, a seção “Ensaios”, cujas publicações, nesta edição, são leituras bastante diversificadas, pois tratam da literatura mitológica grega e suas releituras no século XX (Ressignificando medeias: o contexto sócio-histórico para a construção de uma heroína) e da mulher na literatura, como personagem e como voz enunciadora (Reinventando Sulpícia: uma voz feminina no corpus tibullianum); abordam alguns aspectos da produção literária de Portugal, na prosa e na poesia, por meio de perspectivas distintas: uma histórico-sociológica (“O Espólio do Senhor Cipriano” e “Os novelos da tia Filomela”: cultura popular em Júlio Dinis), outra histórico-literária (O triunfo das máquinas: fragmentos do futurismo italiano em Álvaro de Campos); a releitura entra como temática também no estudo de escritores latino-americanos (A perniciosa leitura de Pierre Menard); assim como a reflexão acerca da matéria com a qual se faz literatura, é o caso dos artigos Ciência e literatura em Douglas Adams e Italo Calvino, A marginalização de Fabiano em Vidas secas: o uso da linguagem nas relações de poder e Presença puxa presença: análise da rememoração e da produção poética no poema “Memória” de Ferreira Gullar.

Permanece também, agora com um conselho editorial renovado, o compromisso com a missão que a Mafuá assumiu no momento de sua criação: abrir espaço para falar de literatura e ser a seu próprio modo uma “libertadora paupérrima / de livros” que, pela(s) voz(es) a que serve de propagadora, ganha a rua e a rede com as mãos cheias desses objetos imateriais. Desejamos uma ótima leitura a todos!