Do amor e das minhocas da entropia

Ariele Louise Barichello Cunha

Dados da edição:

Mafuá, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 24, 2015. ISSNe: 1806-2555.

Como citar este artigo?

Do amor e das minhocas da entropia (2015) foi apresentado como trabalho final para a disciplina Estudos Literários IV: literatura de expressão portuguesa e outras linguagens, oferecida pela Prof.a Tânia Ramos na graduação em Letras, Língua Portuguesa e Literaturas da Universidade Federal de Santa Catarina. A solicitação de trabalho consistia em um vídeo que abordasse os temas estudados durante o semestre, literatura e cinema, literatura e música, literatura e fotografia, literatura e meio digital etc., a partir da leitura de As Fantasias eletivas (2014), de Carlos Henrique Schroeder.

O livro As Fantasias eletivas conta-nos sobre parte da vida de Renê e de Copi. A amizade entre os personagens ganha profundidade quando Copi mostra a Renê uma fotografia – uma menina de costas, abaixada, sobre trilhos de trem –, a primeira de um insight tido a respeito da vida e da literatura como seleção de imagens, as fantasias eletivas. Copi gostava de tirar fotos que para ela demonstravam a solidão das coisas, a solidão de Copi.

À época, li também Sunset Park (2012), de Paul Auster, que apresenta o personagem principal como alguém que fotografa coisas abandonadas, precisamente abandonadas em casas cujos proprietários foram despejados, “Cada casa é uma história de fracasso – de falência ou de inadimplência, de dívida e de execução de hipoteca – e ele assumia a missão de documentar os últimos vestígios daquelas vidas desfeitas a fim de provar que as famílias desaparecidas estiveram ali algum dia, que os fantasmas de pessoas que ele nunca vai ver e jamais irá conhecer ainda estão presentes nas coisas descartadas, dispersas em suas casas vazias.” (AUSTER, 2012, p. 7).

Do amor e das minhocas da entropia é resultado dessas e de outras leituras.