Cinerario (1929), de Dario Vellozo

Samanta Rosa Maia

Dados da edição:

Mafuá, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 26, 2016. ISSNe: 1806-2555.

Cinerario

Dario Vellozo

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[…] nós, do Paraná, Rocha Pombo, Emiliano
Perneta, Silveira Neto, Dario Vellozo,
eu próprio – quero crer –até Emílio de Menezes
no seu extravagante modo de ser, todos nós representamos
figuras que, ao menos por certos aspetos, não
se encaixam lá muito bem no quadro normal
do mundo literário que nos é contemporâneo
aqui no Brasil. (VÍTOR, 1925 apud CORDIOLLI, 2009, p. 27)

Dario Persiano de Castro Vellozo, professor de História, estudioso da maçonaria esotérica, fundador do Centro Esotérico Luz Invisível, do Instituto Neo-Piragórico e de um sem-número de revistas, é natural do Rio de Janeiro, nascido em 26 de novembro de 1869, e é um dos fundadores do movimento simbolista de sede em Curitiba.

De acordo com Maria Tarcisa Silva Bega, a produção de Dario Vellozo se mantém entre a temática helenista e ocultista, atravessada pelas “tonalidades simbolistas”. O leitor encontrará, portanto, em Cinerário, coletânea de poemas produzidos entre os anos de 1892 e 1929, organizada pelo autor em 1929, parte de uma obra que cujo “modelo de interpretação de mundo”, isto é, da “sociedade moderna” da época, mescla “ideário positivista” e “helenismo”:

No caso de Dario Vellozo, as suas ideias formam um emaranhado contraditório: enquanto funda e dirige revistas maçônicas, que grosso modo defendem a Razão, pregará, como espaço alternativo, “[…] uma frateria espiritual, em que pelo menos pudessem se afinizar cada vez mais aquelas belas almas, sedentas de Luz, a fim de que, embora separadas fisicamente pela distância, estivessem sempre unidas pelo mesmo grande nobre pensamento de verdade e justiça, que são as duas colunas da Ordem e do Progresso”. (BEGA, 2013, p. 239)

Vellozo e seus companheiros predominaram no cenário cultural curitibano de 1895 até, aproximadamente, 1910, enquanto as ideias e instituições ainda estavam predispostas às tendências estéticas simbolistas.

A inteligência morre?
O sepulcro será o epílogo da dor?
Os sepulcros também a Matéria percorre
E a Matéria é o embrião da existência e do amor.
(VELLOZO, 1929, p. 56)

Referências

BEGA, Maria Tarcisa Silva. Letras e política no Paraná: simbolistas e anticlericais na república velha. Curitiba: Editora UFPR, 2013.

CORDIOLLI, Marcos. Gênesis de um idílio: a trajetória intelectual de Dario Vellozo (1890-1909). Curitiba: A Casa de Astérion, 2006.