A estratégia dialética de uma flor: uma análise da revista A Violeta (1916-1950) como instrumento de revolução cultural em Mato Grosso

Jildonei Lazzaretti

Dados da edição:

Mafuá, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 27, 2017. ISSNe: 1806-2555.

Sobre os autor(es):

jildoneilazzaretti@hotmail.com
http://lattes.cnpq.br/8405287734772244
Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT)
Campus Universitário Jane Vanini
Faculdade de Educação e Linguagem
Departamento de Letras
Cáceres - Mato Grosso, Brasil

RESUMO: Este trabalho consiste em uma análise do perfil editorial da revista A Violeta, fundada em 1916, na cidade de Cuiabá, como periódico do Grêmio Literário “Júlia Lopes”, tendo como finalidade o “cultivo das letras femininas e patrícias”. Tal abordagem se desenvolverá, primeiramente, por meio de uma visão preliminar do contexto em que a revista surgiu; e, em um segundo momento, pela análise das partes constitutivas do periódico. Na etapa inicial, a partir de uma visão contextual, serão apresentadas as tendências ideológicas e as condições de produção vigentes na Cuiabá do início do século XX. Posteriormente, sem desconsiderar a dinamicidade por meio da qual a revista foi se constituindo, serão apresentados de forma panorâmica: os propósitos, o formato, as seções, e os estereótipos femininos veiculados na revista. Esses dados serão abordados tendo em vista as considerações de Antonio Candido (2006) sobre “a literatura e a vida social”, os conceitos de “imagem literária” e “estereótipo” a partir de Machado e Pageaux (2001), a concepção de “dialética” em Hegel (1992), e os conceitos de “hegemonia” e de “revolução cultural”, desenvolvidos por Antônio Gramsci (1982, 2000). Deste modo, pretende-se demonstrar que A Violeta assumiu, de forma estratégica, uma posição dialética como veículo de reprodução da cultura vigente, mas também de produção de uma nova cultura, proporcionando uma nova visão da condição feminina. Nesse sentido, A Violeta pode ser considerada um instrumento de revolução cultural em Mato Grosso no início do século XX.

PALAVRAS-CHAVE: Literatura. Imprensa. Revista. Mato Grosso. Mulher.

ABSTRACT: This work consists of an analysis of the publishing profile of the magazine The Violet, founded in 1916 in Cuiabá, as periodic Gremio Literary “Julia Lopes”, for purposes of the “cultivation of female and patrician letters”. Such an approach will be developed primarily through a preliminary view the context in which the magazine arose; and, in a second step, the analysis of the constituent parts of the journal. In the first part, as from a contextual view, ideological trends and production conditions prevailing at Cuiaba early twentieth century will be presented. Later, without disregarding the dynamics by which the magazine was constituted, the following aspects of it will be presented panoramically: the purposes, the format, the sections, and female stereotypes conveyed in the magazine. These data will be analyzed in light of the considerations of Antonio Candido (2006) about “the literature and the social life”,  the concepts of “literary image” and “stereotype” as from Machado and Pageaux (2001), the concept of “dialectic” in Hegel (1992), and the concepts of “hegemony” and “cultural revolution”, developed by Antonio Gramsci (1982, 2000). Therefore, this study aims to demonstrate that The Violet took, strategically, a dialectical position as reproduction vehicle of the prevailing culture, but also production of a new culture, providing a new vision of womanhood. In this sense, The Violet can be considered a cultural revolution instrument in Mato Grosso in the early twentieth century.

KEYWORDS: Literature. Press. Magazine. Mato Grosso. Woman.

 

A revista A Violeta – publicação do Grêmio Literário “Júlia Lopes” que circulou em Cuiabá, entre os anos 1916 e 1950 – é comumente considerada a primeira expressão literária feminina em Mato Grosso. Em seu número inaugural, A Violeta define como seu “fim único e exclusivo, o cultivo das letras femininas e patrícias” (nº 1, p.1).

O surgimento dessa revista no início do século XX, no interior do Brasil, distante das metrópoles culturais da época, e em uma circunstância ideológica que não favorecia a atuação literária das mulheres, instiga alguns questionamentos acerca de como ocorreu a criação de tal revista, da postura de suas fundadoras e do desenvolvimento de seu perfil editorial.

Esses questionamentos possibilitaram a constatação de que a Revista A Violeta alcançou aceitação e êxito graças a uma atitude dialética que, estrategicamente, encarou o contexto da época não como um obstáculo, mas como o ponto de partida para o início de uma revolução cultural em Mato Grosso.

Para explicitar tal constatação, o presente artigo partirá de uma visão preliminar do contexto em que a revista surgiu, apresentando as tendências ideológicas e as condições de produção vigentes na Cuiabá do final do século XIX e início do século XX. Posteriormente, serão expostos panoramicamente alguns dados referentes ao perfil editorial da revista, como os propósitos, o formato, as seções e a periodicidade, os quais influenciam na observação dos estereótipos femininos veiculados na revista.

O contexto sociocultural do surgimento da revista

Conforme já mencionado, a revista A Violeta foi fundada em 1916, na cidade de Cuiabá, como periódico do Grêmio Literário “Júlia Lopes”. Enquanto manifestação literária que perdurou durante 34 anos em Mato Grosso, preconizando as ideias femininas num contexto desfavorável para expressá-las, a revista A Violeta desperta inúmeros questionamentos sobre sua relação com o ambiente sociocultural da época. Tais questionamentos poderiam ser resumidos, de forma bastante apropriada, em duas perguntas já lançadas por Antonio Candido em sua obra Literatura e sociedade: primeiramente o autor questiona “qual a influência exercida pelo meio social sobre a obra de arte?” (CANDIDO, 2006, p. 28); e dessa pergunta resulta imediatamente a segunda: “qual a influência exercida pela obra de arte sobre o meio?” (CANDIDO, 2006, p. 28).

Diante desses questionamentos, o crítico literário defende que não é possível se conformar com as respostas tradicionais que, por um lado, simplesmente apresentam a arte como expressão da sociedade, ou, por outro lado, analisam o conteúdo social da arte, à medida que trata dos problemas sociais. Diante da insuficiência desses posicionamentos, Candido enfatiza a necessidade de se buscar uma interpretação dialética da relação entre a arte e a sociedade; e o faz descrevendo a complexidade do processo artístico:

[…] na medida em que o artista recorre ao arsenal comum da civilização para os temas e formas da obra, e na medida em que ambos se moldam sempre ao público, atual ou prefigurado (como alguém para quem se exprime algo), é impossível deixar de incluir na sua explicação todos os elementos do processo comunicativo, que é integrador e bitransitivo por excelência (CANDIDO, 2006, p. 32).

A partir dessa complexidade, inexplicável por meio de interpretações simplórias e reducionistas, Antonio Candido propõe uma abordagem que investigue:

[…] a maneira por que são condicionados socialmente os referidos elementos, que são também os três momentos indissoluvelmente ligados da produção, e se traduzem, no caso da comunicação artística, como autor, obra, público (CANIDO, 206, p. 32, grifos do autor).

Ou seja, a abordagem dos condicionamentos resultantes da relação entre a literatura e a sociedade está intrinsecamente ligada à análise dos três momentos da produção: autor, obra e público, os quais estão relacionados entre si de forma indissolúvel.

Aplicando essa perspectiva a este estudo sobre a revista A Violeta, será analisado o contexto sociocultural da cidade de Cuiabá do fim do século XIX e início do século XX, principalmente no que se refere à imprensa local, contemplando assim a abordagem acerca do público, que, de certa forma, era formado e condicionado pelas tendências ideológicas dos periódicos da época. Posteriormente, em relação à obra, deve-se considerar a postura assumida pela revista dentro desse cenário da imprensa mato-grossense, marcado pela “onipresença masculina” e pela “inexistência feminina”. Por fim, quanto ao autor, é indispensável falar as mulheres fundadoras da revista, bem como sua influência e posição na sociedade cuiabana.

A imprensa cuiabana

O historiador Estevão de Mendonça, em sua obra Breve memória sobre a Imprensa em Matto Grosso (1975), fornece indícios da influência da imprensa no estado desde o período colonial, tendo como uma das características marcantes a vinculação aos interesses políticos. Porém, tal situação foi potencializada no início da República, quando os periódicos mato-grossenses passaram a estar atrelados às oligarquias das famílias rivais existentes no estado.

No início do século XX, circulavam em Cuiabá, além da Gazeta Oficial, circulavam em Cuiabá diversos periódicos impressos, a saber: O Mato Grosso (órgão democrata dedicado aos interesses do povo, 1889); A Reação (órgão do Partido Republicano de Mato Grosso, 1902); A Cruz (órgão da Liga Católica Brasileira de Mato Grosso, 1910); O Comércio (1919); Pró-Família (órgão do Círculo Domingos Sávio, 1920); A Luz (órgão independente, 1924); A Capital (órgão independente, 1925); O Democrata (órgão do Partido Democrata de Mato Grosso, 1926); O Ferrão (órgão independente, 1926); e A Semana (órgão independente, 1926).

Esses jornais exerceram significativa influência na sociedade cuiabana, formando gerações a partir de suas pautas culturais, políticas, ideológicas e religiosas. Nesse sentido, a existência por si só de tais periódicos pressupõe o fato de que havia um público leitor que lhes dava credibilidade e, consequentemente, estava sendo formado a partir de suas ideias.

Partindo dessa influência dos órgãos de comunicação impressa na sociedade cuiabana, e buscando compreender os leitores que posteriormente constituiriam o público alvo da revista A Violeta, é fundamental observar as ideias que são veiculadas e fomentadas nos periódicos da época. Relacionando essas ideias de forma mais específica ao objeto desta pesquisa, observa-se a veiculação de diversas imagens acerca da mulher, as quais possibilitam a constituição de um estereótipo sobre o ser feminino.

Para compreender a relevância dessas imagens, é pertinente recorrer ao texto Da Imagem ao imaginário, de Álvaro Manuel Machado e Daniel-Henri Pageaux (2001). Nessa exposição, os autores definem “Imagem literária” como um conjunto de ideias sobre o outro, que estão “incluídas no processo de literalização e também de socialização, (…) como elemento cultural que remete à sociedade” (MACHADO, PAGEAUX, 2001, p. 50, grifos dos autores). Nesse sentido, conforme os próprios autores, “o estudo de imagens pode ajudar a uma tomada de consciência (a uma objetivação) crítica das nossas práticas culturais, dos nossos reflexos mentais” (MACHADO, PAGEAUX, 2001, p. 65).

Assim, observando a imagem da mulher existente nos periódicos que circulavam na cidade de Cuiabá do final do século XIX e início do século XX, constata-se a constituição de um imaginário, enquanto horizonte de reflexão, que é inseparável de toda a organização social e cultural, pois é por meio dele que uma sociedade “se escreve, pensa e vive” (MACHADO, PAGEAUX, 2001, p. 50). Deste modo, por meio desse imaginário, é possível compreender o público leitor da revista A Violeta, dentro de sua organização sociocultural.

As imagens acerca da mulher constituem um estereótipo social sobre a figura feminina. De modo geral, o estereótipo é a generalização de imagens a partir de análises e juízos de valores simplistas. É um recorte da realidade, transmitido de forma simplificada segundo convenções de um determinado contexto de produção. Na imagologia, que tem como objeto de análise a imagem, o termo “estereótipo” é substituído pela expressão “imagotipo”, no sentido de que é uma imagem que se torna um tipo referencial (Cf. SOUSA, 2004, p. 26).

Também acerca dessa temática, é muito significativa a definição de Machado e Pageaux (2001), que expressa o estereótipo como “um ponto de encontro entre uma sociedade determinada e uma das suas expressões culturais simplificadas, reduzidas a um essencial ao alcance de todos” (p. 52). Desta forma, no estereótipo da mulher formulado a partir dos periódicos mencionados anteriormente, tem-se a “expressão simplificada” do que a sociedade cuiabana da época pensava acerca de um de seus sujeitos constitutivos: a mulher. Ainda destrinchando a definição dos autores, observa-se que o estereótipo é uma expressão simplificada, porque visa transmitir algo que é “essencial” e está “ao alcance de todos”. Aqui, tem-se um detalhe muito sutil, mas enormemente significativo: esse “essencial” não necessariamente é aceito e veiculado por todos, mas está “ao alcance de todos”, justamente porque há uma maioria que garante sua manutenção e sedimentação na sociedade. E, mesmo sendo uma obviedade histórica, é preciso que se diga: essa maioria é masculina. E é uma maioria não no que se refere a uma quantificação populacional (em que os homens existiriam em maior número que as mulheres), mas é uma maioria no que tange à ocupação de posições sociais e espaços de formação de opinião, como é o caso dos periódicos da época. Em outras palavras, tem-se um estereótipo acerca do feminino que é formulado a partir dos juízos de valor de uma imprensa masculina.

De modo geral, a imprensa cuiabana posicionava-se sobre a identidade da mulher, em relação às esferas biológica, psíquica, social, cultural e religiosa. Tal posicionamento ocorria por meio de oposições entre os seguintes domínios: doméstico e público; natural e cultural; permitido e não permitido.

Sob esse prisma, os jornais da época ressaltavam a domesticidade e a docilidade do caráter feminino, reforçando valores relacionados à obediência, à dedicação e à submissão. Assim, louvava-se a filha obediente, a esposa carinhosa e submissa, a mãe dedicada, a dona de casa prendada e zelosa; e criticava-se a frivolidade, a vaidade e qualquer expressão de emancipação feminina.

Um dos estereótipos vinculados à natureza feminina presente no jornal A Semana, manifesta uma suposta inferioridade mental da mulher. Esse periódico circulou em suas páginas uma crônica em que o autor fez uma tradução livre de uma história que, segundo ele, teria lido em uma revista francesa. Essa crônica referia-se à nova moda feminina de uso de cabelos curtos, a la garçone, e veiculava a seguinte imagem da mulher:

[…] se por ironia do acaso as mulheres, a força de cortar os cabelos começarem a ter ideias, como será possível tolerá-las de cabelos curtos e ideias longas?
Aí, então, para que elas fiquem sempre interessantes, e se tornem eternamente coquetes, ensinar-lhe-emos também a cortar as ideias. (A SEMANA, 07-11-1926, p.2).

Observa-se que o cronista enfatiza a inferioridade feminina, ao comentar que, “a força de cortar os cabelos” (que na época era uma prática masculina), as mulheres poderiam começar a ter ideias. Consequentemente, ele atribui superioridade aos homens, pois ao questionar se seria possível tolerar as mulheres com “ideias longas”, o cronista fez uma associação entre uma suposta superioridade da mente do homem ao uso dos cabelos curtos.

No segundo trecho, na oração “para que elas fiquem sempre interessantes, e se tornem eternamente coquetes” afirma-se implicitamente que o uso de cabelos longos tornava a mulher atraente, e que é somente no âmbito da aparência que as mulheres poderiam despertar a admiração de alguém, pressupondo assim que não teriam condições intelectuais para serem admiradas por outras competências. E no fragmento “ensinar-lhe-emos também a cortar as ideias” consta de forma velada e irônica a realidade da submissão da mulher, que tudo aprende com o homem.

Tais afirmações fazem ecoar novamente as palavras de Machado e Pageaux (2001), segundo as quais o estereótipo é um discurso produzido por meio de um distanciamento entre o “Eu” e o “Outro”, que estabelece uma hierarquia de valor, a qual “distingue o Eu do Outro e, quase sempre, valoriza o primeiro termo, em detrimento do segundo” (MACHADO, PAGEAUX, 2001, p. 52) Nesse sentido, a imagem do “Outro” revela também uma imagem do próprio “Eu”, pois expressa as relações entre o “eu” e o mundo. Deste modo, os referidos estereótipos acerca da mulher, necessariamente, evidenciam realidades sobre os homens da época.

Entre os diversos estereótipos, também merece destaque o que se refere ao ingresso das mulheres no mercado de trabalho, como destaca o periódico O Ferrão, em uma crônica intitulada A mulher funcionária:

[…] as mulheres, assim, direta ou indiretamente vão prejudicando tantos rapazes habilitados que muitas vezes deixam de se inscrever num concurso porque as mulheres já tomaram as suas dianteiras, aparelhadas de pistolões, lágrimas e risos para vencerem a luta. (O FERRÃO, 26-01-1928, p.2).

Assim, mesmo sendo “condescendente” com a atuação profissional das mulheres, o periódico procura encontrar as consequências negativas desse acontecimento social, destacando principalmente que é prejudicial para os homens.

Esse mesmo jornal, em outra matéria, tenta regular o inevitável ingresso das mulheres no mercado de trabalho, estabelecendo restrições em relação aos cargos a serem ocupados por elas:

[…] as senhoras devem ter como limite de acesso, um cargo equivalente ao de amanuense, isto é, nem chefe e nem subalterno. Podem, porém, as moças fazer concorrência com vantagens sobre os rapazes para os lugares de datilógrafa, pois é uma profissão decente, moderna, delicada e muito adaptável ao belo sexo. (O FERRÃO, 09-02-1928 p.1).

Nesse fragmento, o jornal defende a ideia de que as posições de chefia, por envolverem exercício de poder, deveriam ser inacessíveis às mulheres, para quem, estariam reservadas somente as posições subalternas. Novamente, reforça-se a ideia da superioridade masculina e da inferioridade feminina. De acordo com esse mesmo jornal, o verdadeiro lugar da mulher é o “recinto do lar, que sempre foi e há de ser sempre o seu reinado, o seu império, a sua verdadeira repartição” (O FERRÃO, 09-02-1928, p.1).

Assim, era praticamente impossível contrariar frontalmente esses estereótipos sedimentados na sociedade cuiabana. O que não significa que não existiram tentativas, as quais tiveram como resposta uma veemente retaliação por parte da “imprensa masculina”.

O Jasmim: a flor silenciada

Comumente pensa-se na revista A Violeta como o primeiro periódico feminino de Mato Grosso, tendo sido fundada em 1916. No entanto, sabe-se que dezenove anos antes, em 10 de outubro de 1897, já havia sido fundado um periódico com essa linha em Cuiabá, o qual também possuía o nome de uma flor: O Jasmim. Esse que, de fato, foi o primeiro jornal feminino de Mato Grosso, tinha Dona Leonor Galvão à frente da redação e era impresso na tipografia de Emílio Calhao (Cf. MENDONÇA, 1973, p.199).

No entanto, essa iniciativa encontrou forte oposição no meio social, liderada pela imprensa cuiabana que, de imediato, manifestou-se desfavoravelmente. O jornal O Matto Grosso, em sua edição de 31-10-1897, deixou claro seu descontentamento com o jornal feminino, limitando a atuação da mulher exclusivamente ao âmbito familiar, como se observa em sua coluna “Folhetim”:

[…] a função estética da mulher está circunscrita à família. Aí é que sua ação deve refletir-se e é essa sua mais nobre missão. (…) desde o momento em que ela abandona o doce aconchego do lar para discutir nos meetings, à praça pública, a marcha do governo e candidatura do Sr. X ou Sr, Z, perde o direito de ser venerada. (O MATTO GROSSO, 31-10-1897, p. 01).

Além de condenar a publicação de O Jasmim, o redator de O Matto Grosso finalizou seu artigo concedendo às editoras do jornal feminino o seguinte conselho: “Fundem uma sociedade em que se discuta, em lugar do direito ao voto, o arranjo da casa, o asseio da cozinha e a maneira de cultivar um canteiro de repolhos.” (O MATTO GROSSO, 31-10-1897, p. 01).

Essas repercussões sobre O Jasmim na imprensa são o único registro que ficou de sua existência. Sylvia Alves Corrêa (Cf. 1991, p. 45) afirma não ter encontrado nenhum exemplar desse precursor jornal feminino durante a pesquisa documental que realizou em vários arquivos, centros e núcleos de documentação.

As críticas de O Matto Grosso demonstram que, em seu primeiro número, O Jasmim já assumira claramente seu posicionamento em favor da emancipação feminina. Porém, a repercussão foi tão polêmica e impetuosa que levou ao fechamento do jornal, que, portanto, tivera um único número publicado. Assim, cerca de um mês após a fundação do periódico feminino, o jornal O Matto Grosso divulgou o acontecimento com satisfação, em primeira página: “O Jasmim (…) anuncia às suas leitoras que a bandeira da revolta que tremulava ameaçadora no corpo da folha fora arriada em nome do Bom Senso” (O MATTO GROSSO, 7-11-1897, p.1).

Após o êxito de sua retaliação ao periódico feminino precursor, a imprensa masculina continuou alimentando seus estereótipos, respondendo com escárnio e chacota às tentativas de emancipação da mulher: “Entusiasma muito mais com a cor da cinta, a flor do chapéu porque ainda lhe satisfaz em absoluto contemplar o rosto num espelho sem que procure nunca ver sua obtusa inteligência.” (O MATTO GROSSO, 21-11-1897, p.2).

A Violeta: a flor estratégica

O “silenciamento” imposto ao primeiro jornal feminino de Mato Grosso atesta o poderio e a influência da imprensa cuiabana, hegemonicamente masculina. Mas, como se sabe historicamente, tal hegemonia encontrava-se nas diversas esferas da vida social, desde pequenas agremiações até os altos cargos políticos.

Em relação às agremiações existentes nas primeiras décadas do século XX em Cuiabá, Mendonça (Cf. 1973 p.178) e Siqueira et al. (Cf. 1990 p.163) confirmam a hegemonia masculina, por meio de seis associações: o Clube Internacional (1904), o Grêmio Álvares de Azevedo (1911), a Liga Mato-Grossense de Livres Pensadores (1909), a Sociedade União dos Taifeiros (1917), o Grêmio dos Maquinistas Civis (1918) e a Sociedade dos Marinheiros da Marinha Mercante (1919). Nesse panorama hegemonicamente masculino, duas agremiações femininas conseguiram se destacar: o Grupo Feminino de Teatro Amador, dirigido por Zulmira Canavarros (1909) e o Grêmio Literário “Júlia Lopes” (Cf. NADAF, 2004, p.16).

O Grêmio “Júlia Lopes” foi fundado em 26 de novembro de 1916 por um grupo de normalistas egressas da Escola Normal de Mato Grosso, contando com apoio de algumas senhoras e senhoritas “simpatizantes da cultura que desejavam a instalação de uma agremiação onde pudessem cultivar as ‘letras femininas patrícias’, criada para divulgação (de) uma revista bimensal” (NADAF, 1993, p.23).

A agremiação teve como patrona a jornalista e escritora Julia Lopes de Almeida (1862-1934), que, no início de sua carreira, enfrentou grande oposição, a qual foi sendo superada à medida que seu nome ganhava prestígio no meio intelectual. Norma Telles, em seu texto Escritoras, escritas, escrituras, presente na obra Histórias das mulheres no Brasil, destaca que Julia Lopes “em suas crônicas fez campanhas em defesa da cidade, da educação da mulher, do divórcio, da exposição de flores, assim como fizera a defesa da Abolição e da República” (TELLES, 2006, p 435). No mesmo texto, a autora explicita as ambiguidades dos ideais e dos escritos de Julia Lopes, que são próprias de quem busca assumir um perfil conciliatório na sociedade:

Fez campanhas pela instalação de creches. Estava imbuída de uma missão pedagógica de melhoria das condições de ensino, do modo de vida, da mudança do papel social da mulher. (…) tentou conciliar na vida e na obra, o modelo de Nova Mulher: companheirismo e organização, rebeldia e luta, com o papel “sagrado” de mãe e esposa. Ambigüidade e compromissos, avanços e acomodações transparecem em seus escritos (TELLES, 2006 p., 435-6, grifos nossos).

Pode-se dizer que o Grêmio “Júlia Lopes” seguiu sua patrona até mesmo nessas suas ambiguidades, avanços e acomodações. No entanto, como se mostrará posteriormente, essa foi uma atitude estratégica para adquirir a adesão da sociedade cuiabana. É nesse sentido, que a professora Francisca Figueiredo, em seu discurso da sessão inaugural do Grêmio (publicado posteriormente na revista A Violeta, n° 3), ao explicar a escolha do nome de Júlia Lopes, além de destacar a importância de sua obra literária e suas qualidades de intelectual, também ressalta o seu exemplo como mulher, esposa, filha, mãe e mestra:

Júlia Lopes, sob qualquer ponto de vista que se encare, é o prototypo da mulher, nunca sua penna poderosa deixou de traçar a rota luminosa da sua missão social. No lar, sobretudo, é que ella mais se salienta aconselhando as patrícias a serem verdadeiras sacerdotizas desse templo santo. (A VIOLETA, nº3, p.7).

Em seu estatuto, o Grêmio Literário “Júlia Lopes” estabeleceu cinco objetivos: 1) Promover o desenvolvimento intelectual das suas associadas; 2) Manter uma revista de publicação bimensal; 3) Desenvolver o gosto pelas artes entre suas associadas; 4) Manter uma biblioteca; 5) Criar formas de desenvolvimento intelectual da mulher mato-grossense. Como se pode ver, no segundo objetivo, já está posta a relação direta entre a agremiação e a revista A Violeta.

Assim, buscando cumprir uma de suas finalidades, o Grêmio “Júlia Lopes” publica em 16 de dezembro de 1916 o primeiro número da revista A Violeta, que nessa publicação inaugural ressalta seu escopo:

A Violeta será o órgão do “Grêmio Litterário Júlia Lopes”, organização esta que tem por fim único e exclusivo, o cultivo das letras femininas e patrícias, abrindo as suas colunnas a todas que connosco quizerem collaborar, para o engrandecimento moral da nossa estremecida terra (A VIOLETA, nº 1, p.1).

Deste modo, as redatoras estrategicamente definiram e delimitaram a revista como órgão do Grêmio Literário, demarcando, assim, a literatura como seu campo exclusivo de atuação, e silenciando acerca de questões políticas. De certo modo, as redatoras também consentiram com certa subordinação ideológica, à medida que se comprometeram com o engrandecimento moral de sua terra.

Certamente, elas estavam a considerar a experiência negativa do jornal O Jasmim, que, ao assumir declaradamente a luta pela emancipação da mulher, cometeu a “ousadia” de invadir a prática jornalística e o âmbito político, que, na concepção da época, eram exclusividades masculinas.

Essa atitude estratégica fez com que a recepção à revista A Violeta, em 1916, fosse totalmente diferente dos ataques sofridos pelo jornal O Jasmim, em 1897. De modo geral, a sociedade cuiabana reagiu com entusiasmo. Ao mesmo tempo em que a revista foi saudada como um gesto feminino inovador, que representava o progresso, também foi exortada a resguardar os valores morais dominantes na sociedade, recebendo assim um alerta sutil para não transgredir a ordem vigente. Entre as repercussões na imprensa cuiabana sobre a fundação da revista, pode-se destacar a que fez a Gazeta Oficial, que, além de elogiar a iniciativa, delimita sua contribuição ao âmbito artístico:

Temos sobre a nossa mesa de trabalho o primeiro número da primorosa revista “A Violeta” órgão do Grêmio Literário “Júlia Lopes”, que circulou no dia 16 do corrente.
A sua colaboração é bastante variada e atraente e pinta perfeitamente o gosto e a fina delicadeza das gentis senhoras e senhoritas de que se compõe o seu corpo redatorial.
Merece palmas e francos elogios essa iniciativa das nossas distintas conterrâneas, que por essa forma proclamam bem alto que em Mato Grosso o belo sexo pensa e faz.
Reunindo-se sob a égide de uma escritora que honra o seu sexo e a nossa raça, esse pugilo de senhoras e senhoritas acaba de assinalar uma conquista de extraordinário alcance no domínio intelectual e com o seu gesto de coragem, diremos mesmo de audácia, abre um exemplo digno de imitação por parte dos poucos que entre nós se dedicam aos ideais superiores da Arte (GAZETA OFICIAL, 21-12-1916, p.4, grifo nosso).

Também na imprensa religiosa houve repercussão, como a que fez o jornal A Cruz, atribuindo à revista recém-fundada o poder de engrandecimento moral, e alertando para o discernimento do que convém às senhoras e às senhoritas:

Toda perfumada como a mimosa flor que lhe serve de título, surgiu no campo da imprensa A Violeta, linda revista do “Grêmio Literário” que um grupo de senhoras e senhoritas desta cidade acaba de fundar (…).
Oh! Exmas senhoras e gentis senhoritas, podeis muito para o engrandecimento moral de nossa sociedade! Deus dotou os vossos corações de uma influência que, bem dirigida, conforta, eleva, abranda, apazigua, idealiza, e, pois que ainda Ele depositou em vossas almas um instinto muito seguro do que convém a vós mesmas, nós esperamos muito do “Grêmio literário” que fundaste e do vosso porta-voz a mimosa e perfumada “A Violeta” (A CRUZ, 24-12-1916, p.1, grifos nossos).

Além de sua postura inicialmente moderada, sem assumir pretensões jornalísticas ou políticas, mas simplesmente literárias, há outro fator determinante para a aceitação e respaldo da revista A Violeta: o fato de que suas redatoras estavam ligadas a elite cuiabana. Assim, sendo representantes da elite social estavam submetidas aos controles da ordem vigente, não constituindo nenhuma ameaça iminente. Ao contrário, por sua condição social, estavam mais habituadas a reproduzirem os valores da época, do que a contestá-los.

No entanto, tal atitude também pode ser considerada estratégica; pois, mesmo reproduzindo a cultura vigente, as redatoras inevitavelmente romperam as barreiras limítrofes entre o universo masculino e o universo feminino. Ao escrever e publicar, as mulheres “invadiram” um território que era visto como sendo exclusivamente dos homens, ressignificando a atuação feminina na sociedade cuiabana.

As “Marias” por trás d’A Violeta

Seguindo sob a perspectiva de Antônio Candido, e tendo já abordado questões acerca do público e da obra, cabe agora tratar da autoria. No caso da revista A Violeta, tal aspecto está ligado às redatoras do periódico.

A Violeta contou ao todo com quinze redatoras diferentes, entre sócias do Grêmio Literário “Júlia Lopes” que se revezaram, por um ano ou mais, na direção da revista. Entre as principais colaboradoras da revista, em Cuiabá, estavam Amélia de Arruda Lobo, Ana Luiza da Silva Prado, Antídia Alves Coutinho, Benildes Borba de Moura, Maria Dimpina Lobo Duarte, Maria de Arruda Müller e Maria Santos Costa (Cf. NADAF, 1993, p.54-64).

No entanto, duas redatoras tiveram maior destaque e atuação: Maria Dimpina Lobo Duarte e Maria de Arruda Müller. No primeiro ano de circulação da revista, foram elas que garantiram a produção de matérias necessárias à composição de cada número. Como cronistas, elas recorreram constantemente a pseudônimos: Maria Dimpina Lobo Duarte assinava como D. Marta, Arinapi e M.D.; já Maria Ponce de Arruda Müller assinava na revista como Mary, Chloé, Vampira, Consuelo, Sara, Lucrécia, Ofélia e Vespertina, além de Maria Müller, como abreviação de seu nome.

Maria Dimpina Lobo Duarte nasceu em 1891, e faleceu em 1966. Foi considerada uma mulher de destaque na época, por ocupar uma função pública e por ser uma intelectual. Em 1909, aos 18 anos, formou-se no colégio Liceu Cuiabano, onde até então só estudavam homens, e lá recebeu o título de bacharel em Ciências e Letras. Maria Dimpina foi a primeira funcionária pública concursada de Mato Grosso, e assumiu cargo nos Correios e Telégrafos, após ter sido aprovada em primeiro lugar entre todos os candidatos do Brasil (Cf. NADAF, 1993). Em seus textos, Maria Dimpina reclamava da ignorância das mulheres sobre assuntos políticos, seja por não poderem assumir cargos eletivos, ou por terem sua função social restrita à educação dos filhos e manutenção da família.

Maria de Arruda Müller nasceu em Cuiabá, em 09 de dezembro de 1898, e faleceu a 04 de dezembro de 2003, com 105 anos incompletos. Era professora formada pela Escola Normal Pedro Celestino. Lecionou em diversos estabelecimentos de ensino de Cuiabá, e por um tempo também no Grupo Escolar de Poconé, onde seu esposo, Júlio Strübing Müller, exerceu a função de diretor. Além de ser uma das fundadoras do Grêmio Literário Júlia Lopes, Maria Müller também foi a primeira mulher a tomar posse na Academia Mato-grossense de Letras, em 1930. No início dessa década, liderou um forte movimento em prol do voto feminino, garantido por meio da Constituição de 1934, ocasião na qual ela conclamou as mulheres mato-grossenses a se inscreverem como eleitoras.

Curiosamente, essas duas destacadas redatoras da revista A Violeta, possuíam “Maria” como primeiro nome, demonstrando, assim, o ideário da época, que colocava a mãe de Jesus como modelo de mulher, por seu zelo, silêncio e obediência. Ironicamente, não foram bem essas as características que elas desenvolveram como fundadoras e redatoras da revista do Grêmio Literário “Júlia Lopes”.

O perfil editorial da revista

Aprofundando a análise da revista enquanto obra, para usar a terminologia de Antonio Candido (2006), faz-se necessária uma apresentação, ao menos panorâmica, de seu perfil editorial, observando seus propósitos, periodicidade, formato e seções, bem como a imagem feminina que é veiculada na revista.

Como já mencionado anteriormente, desde seu número inaugural, A Violeta identificou como seu “fim único e exclusivo, o cultivo das letras femininas e patrícias” (A VIOLETA, n° 1, p. 1), estando assim aberta para a contribuição de colaboradoras e associadas do Grêmio Literário “Júlia Lopes”.

Mesmo tendo sido pensada inicialmente como uma revista bimensal, ao longo dos anos sua periodicidade tornou-se irregular. Assim, a revista já chegou a circular tanto semanalmente como quadrimestralmente, oscilando conforme as dificuldades encontradas, tanto no âmbito editorial quanto financeiro. Até o número 76, de 25 de dezembro de 1920, A Violeta circulou de uma a três vezes por mês. Também teve sua circulação interrompida por períodos de um mês, em 1923, 1925, 1926 e 1930; de dois meses, em 1927, 1928, 1933, 1941 e 1945; e de três ou mais meses em 1924, 1931, 1932, 1934, 1935, 1936, 1937 e 1938.

Quanto ao formato, A Violeta tinha tamanho pequeno, de 15,5 por 22,5 centímetros, possuindo capas variadas, com ou sem ilustração. Em sua formatação, também havia elementos cuja presença não era constante, como sumário e espaços de publicidade. Seu número de páginas variava de oito a vinte, de acordo com a ocorrência de acontecimentos relevantes para a população. Quanto às cores e à diagramação, também eram diversificadas, sem possuir um padrão uniforme.

Para conseguir manter suas atividades durante 34 anos, A Violeta recebeu apoio financeiro, material e operacional de pessoas físicas, de empresas e de órgãos oficiais do estado. Era impressa em diferentes gráficas de Cuiabá, entre as quais duas era oficiais: a Tipografia Oficial (da Imprensa Oficial) e a Tipografia da Escola de Aprendizes Artífices (posteriormente chamada de Tipografia da Escola Industrial). Segundo Yasmin Nadaf (Cf. 1993, p.31), algumas gráficas cobravam por seus serviços, enquanto outras os prestavam gratuitamente, como uma cortesia às senhoras e senhoritas que editavam a revista. Com esses auxílios, era possível distribuir gratuitamente a revista para as sócias do Grêmio. Já para os não associados, o número avulso era vendido a 1$000 (um mil réis), se fossem de Cuiabá, e 1$200 (um mil e duzentos réis), se fossem de outras localidades.

Quanto às seções da revista, pode-se dizer que variaram bastante ao longo dos 34 anos, totalizando 18 seções que se alternaram entre si durante esse período. Dessas seções, apenas duas foram permanentes, constando em todos os números publicados: a “Chronica”, que iniciava cada número, e o “Noticiário” que os finalizava. Enquanto a primeira seção consistia em uma produção literária, a última contemplava diversas matérias sobre assuntos variados.

A crônica que abria cada número era comumente assinada por uma das redatoras, na maioria das vezes com seus pseudônimos. De modo geral, as crônicas da revista A Violeta focavam algum assunto em evidência, que estivesse associado a acontecimentos sociais, às festividades da vida cotidiana da cidade, a fenômenos naturais, às práticas religiosas e cívicas, ou a fatos históricos, políticos e culturais.

Já as matérias da seção “Noticiário” consistiam em informações pontuais e variadas, normalmente relacionadas à sociedade cuiabana, as quais compreendiam desde felicitações por aniversário natalício, registros sobre determinados eventos sociais, e agradecimentos a colaboradores, até anúncios de falecimento.

Diante da oscilação das diversas seções, é difícil propor uma análise específica de cada uma das seções, para constatar a imagem feminina que é veiculada nelas. Assim, parece mais plausível dividir todos os dados da revista em três âmbitos: literário, social e publicitário.

No âmbito literário, a maior notoriedade, obviamente, é a da seção “Chronica”, na qual as redatoras buscavam fazer o que é próprio desse tipo de narrativa, destacar o grandioso e extraordinário a partir daquilo que é miúdo e cotidiano, como bem destaca Antonio Candido (1992):

A crônica está sempre ajudando a estabelecer ou reestabelecer a dimensão das coisas e das pessoas. Em lugar de oferecer cenário excelso, numa revoada de adjetivos e períodos candentes, pega o miúdo e mostra nele uma grandeza, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas (CANDIDO, 1992, p. 14).

No que tange à imagem da mulher nas crônicas da revista A Violeta, inicialmente se constata a reprodução dos estereótipos femininos já existentes na sociedade; mas, à medida que o tempo foi passando, surgiram também posicionamentos vinculados à emancipação da mulher.

Assim, até mesmo nas crônicas da primeira mulher que se tornara funcionária pública em Mato Grosso, Maria Dimpina Lobo Duarte, que assinava sob o pseudônimo de Arinapi, observava-se a reprodução dos estereótipos femininos. Por exemplo, em 1925, ao falar da criação da “Liga das Senhoras Catholicas”, a referida cronista dizia que a associação “deve defender os nossos costumes tradicionais, históricos mesmo, do recato e da modéstia, da virtude e do zelo da mulher brasileira” (A VIOLETA, n° 125, p. 01). Em outra crônica, de 1926, Arinapi tece críticas ao modernismo, “emissário da Moda”, que “substitui as nossas tradições pelas novidades importadas” (A VIOLETA, n° 137, p. 01), e o faz por meio de exemplos relacionados às mulheres, principalmente nas questões estéticas:

Hoje, o cabello a la garçone dispensa o cuidado de se procurar bananeirinhas como factores do crescimento dos cabellos nella enterrados, assim como a pintura, essa creadora da velhice prematura, faz cahir no olvido todo esse cuidado que  se tinha  para conservar rosada e pura a tez natural, certificado de uma saúde robusta e sã.
É que o corpo cançado das danças livres não é mais o atestado da saúde, e a pintura vem disfarçar os effeitos da saúde alternada (A VIOLETA, 1926, n° 137, p. 01-02).

No entanto, a mesma cronista que defende as tradições, e, consequentemente, a manutenção dos estereótipos femininos, tempos depois, passa a tocar em questões relacionadas à igualdade das mulheres e a sua emancipação. Nesse sentido, em 1934, ao comentar a criação de uma escola profissional para homens, feita pela Prefeitura de Cuiabá, Arinapi parabeniza o gestor municipal, mas também lhe faz o seguinte questionamento: “Si aos homens se torna necessario que se lhes dê uma profissão para a garantia do seu futuro, que diremos do que se nos está faltando para a educação da mulher?” (A VIOLETA, n° 213, p. 01). E anos depois, ao falar da futura fundação da Escola Doméstica para mulheres, assinando como Maria Dimpina, a cronista destaca as mudanças ocorridas no universo feminino, principalmente por meio das funções públicas que as mulheres passam a assumir. Nesse contexto, e demonstrando que isso não lhe isenta das funções de dona-de-casa, mãe e esposa, mas a sobrecarrega, a cronista escreve para defender a formação adequada de domésticas para realizar os afazeres das mulheres que passam a ocupar funções públicas na sociedade:

Já vão bem longe os tempos em que se cogitava de educar a mulher apenas para o lar.
Instruída era aquela que completava o curso primário findo o qual, ou em o próprio lar ou fora dele, aprendia a confeccionar roupas, a fazer serviços de copa, cozinha, enfim, todos os que dizem respeito ao interior da casa, cujo governo lhe era destinado ou por força do casamento, ou, se ficasse solteira, como administradora doméstica em casa dos pais ou parentes com quem fosse obrigada a residir.
Desapareceu completamente essa norma educativa e, de um momento para outro, viemos deparar com um outro sistema que forma a mulher moderna, a que concorre com o homem para os cargos públicos, a que enfrenta os concursos das repartições, a que, enfim, cursando escolas superiores, conquista altas colocações na sociedade, o que, no entanto, a prática já demonstrou, não dirime as funções que lhe são atinentes de esposa e mãe porque o coração dela dita leis às quais o cérebro se subordina (A VIOLETA, n° 327, p. 05).

Partindo para publicações relacionadas à vida social, também se observam as mesmas dicotomias entre a manutenção dos estereótipos e a superação deles. Assim, observa-se na seção “De tudo para todos”, recomendações diversas, desde receitas culinárias, instruções de higiene pessoal e doméstica, até venenos contra pragas e insetos. Tem-se aí, novamente, a imagem da mulher como dona-de-casa, mãe e esposa, que na referida seção recebe orientações para conseguir desempenhar bem suas funções.

Mas, novamente, há também a tentativa de superação dos estereótipos. Por exemplo, ao se noticiar a fundação e os frutos da Escola Doméstica Dona Júlia (pela qual as associadas do Grêmio tanto lutaram), são mencionadas com pesar as chacotas e provocações sofridas pelas fundadoras, afirmando seu descontentamento com as estereotipações e a convicção de seus ideais:

A 26 de novembro de 1946 Cuiabá assistia a fundação da Escola Doméstica D. Júlia destinada, se Deus quiser, a operar grandes e reais benemerências em prol da nossa sociedade.
Passamos a ouvir os comentários:
– É uma escola para cozinheiras!
– Isto é que não! Estão estudando… agora é que vamos ficar sem cozinheiras!
Ouvidos moucos, olhos fitos no futuro, no pôrto de salvamento existente em nossos ideais, deixávamos de parte os comentários (A VIOLETA, n° 347, p. 15).

Também no âmbito publicitário da revista, estavam subjacentes os estereótipos, mas também as tentativas de ressignificação do universo feminino. Por exemplo, as propagandas de produtos, em sua maioria pressupunham como sua “potencial leitora” uma mãe e/ou esposa, como se observa na propaganda da “Calcehina”:

Já deu CALCEHINA ao vosso filho? Por que não experimenta? A CALCEHINA evita a tuberculose e as infecções intestinaes e não permitte a proliferação de vermes nos intestinos das creanças – vende-se em todas as Pharmacias (A VIOLETA, n° 122, p. 14).

Por outro lado, em propagandas da Escola Doméstica Dona Júlia, percebe-se implícita uma nova visão de mulher, cuja atuação não se restringe apenas ao lar e à família, mas que também está ligada à sociedade, apontando para uma perspectiva emancipatória: “Escola Doméstica Dona Júlia prepara a mulher para o lar e para a sociedade” (A VIOLETA, n° 347, p. 03).

Deste modo, observa-se nas publicações literárias, sociais e publicitárias da revista A Violeta, esse constante “paradoxo ideológico”, marcado pela reprodução dos estereótipos femininos já existentes na sociedade cuiabana, mas também por tentativas de ressignificação da figura da mulher, bem como de seu papel na sociedade.

A Violeta e sua estratégia dialética

Considerando o contexto sociocultural no qual foi fundada a revista A Violeta, bem como seu perfil editorial, é possível constatar que os estereótipos acerca da mulher estavam tão sedimentados na sociedade que, além de serem uma constante na imprensa masculina, surgiam também na própria revista feminina do Grêmio Literário “Júlia Lopes”.

Diante de tal obstáculo ideológico (cujos efeitos coercitivos foram conhecidos pelo jornal feminino precursor, O Jasmim), percebe-se que as fundadoras e redatoras da revista A Violeta assumiram uma estratégia dialética, no sentido hegeliano do termo, a fim de atingir seus objetivos.

O filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich  Hegel, em sua Fenomenologia do Espírito (1807/1992), apresenta a dialética como um movimento constitutivo da realidade, que, consequentemente, também se constituía em um método pelo qual se atingiria o conhecimento da realidade em si. Diferentemente da dialética dos antigos gregos, cuja notoriedade foi atingida com Platão, Hegel apresenta o movimento dialético como sendo um movimento circular com ritmo triádico, ou seja, constituído por três momentos. Esses três momentos são geralmente indicados com os termos tese, antítese, síntese, mas de modo simplificado, pois Hegel os utilizou poucas vezes, preferindo uma linguagem mais complexa e articulada[1], própria de seu sistema filosófico. No entanto, para melhor compreensão, aqui serão utilizados os termos tese (que, em termos simples, seriam os conceitos abstraídos pelo intelecto); antítese (quando a razão, indo além dos limites do intelecto, age negativamente trazendo à tona as contradições e oposições) e síntese (quando a razão capta a unidade entre as determinações da tese e as contraposições da antítese).

O maior intérprete de Hegel no Brasil, Henrique de Lima Vaz, analisando a complexidade da obra Fenomenologia do Espírito, afirma que o sistema dialético hegeliano possui três significações fundamentais, sob as esferas filosófica, cultural e histórica (Cf. VAZ, 1981, p. 10).

Assim, tomando a dialética hegeliana sob uma perspectiva histórica e cultural, pode-se afirmar que a atuação da revista A Violeta, tanto por seu contexto de produção como por seu modo de representação da figura feminina, foi marcada por um movimento dialético. Nesse sentido, tomando como exemplo a fundação da revista, observam-se três acontecimentos que se constituem como tese, síntese e antítese.

Como tese até então sedimentada e indiscutível, têm-se os estereótipos acerca da mulher, que a restringem a uma condição de inferioridade social e limitação acadêmica e profissional. Estereótipos esses que eram fomentados pelas imagens femininas veiculadas pela imprensa cuiabana, hegemonicamente masculina.

Como antítese desses estereótipos, contatou-se a contraposição realizada pelo primeiro jornal feminino de Cuiabá, O Jasmim, que, em 1897, declaradamente assumiu uma postura favorável à emancipação da mulher, defendendo sua atuação jornalística, política e profissional. Fato que fez com que o jornal tivesse um único número, ao qual nem se tem acesso, mas sabe-se da sua existência pela repercussão negativa gerada na imprensa local.

E a síntese entre esses dois movimentos conflitantes, seria a postura estratégica assumida pela revista A Violeta. Conhecendo o seu contexto de enunciação, suas redatoras não defenderam de imediato as causas feministas, mas auxiliaram na reprodução da cultura vigente da época, fomentando o estereótipo predominante sobre a mulher. Porém, com isso, elas acabaram conquistando um espaço no meio jornalístico que antes as mulheres não possuíam. Deste modo, A Violeta assumiu estrategicamente uma posição dialética como veículo de reprodução da cultura vigente, mas também de produção de uma nova cultura, proporcionando uma revisão da condição feminina enquanto protagonista no âmbito intelectual e profissional.

A Violeta como instrumento de revolução cultural em Mato Grosso

A partir da estratégia dialética assumida pela revista do Grêmio Literário “Júlia Lopes”, é possível aprofundar a reflexão, recorrendo ao pensamento de Antônio Gramsci (1982, 2000), e constatar que, dentro de um contexto de hegemonicamente masculino, a revista tornou-se um instrumento de revolução cultural.

Dentro do campo dos estudos culturais, concebido enquanto análise das formas subjetivas das relações sociais, considera-se como basilar a reflexão acerca da hegemonia, desenvolvida pelo filósofo marxista Antônio Gramsci.

A contribuição de Antonio Gramsci é, aqui, fundamental, pois mostra como a mudança pode ser construída dentro do sistema. A teoria da hegemonia gramsciana pressupõe a conquista do consentimento. O movimento de construção da direção política da sociedade pressupõe complexas interações e empréstimos entre as culturas populares e a cultura hegemônica.
Com isto, o que se quer dizer é que não existe um confronto bipolar e rígido entre as diferentes culturas. Na prática, o que acontece é um sutil jogo de intercâmbios entre elas. Elas não são vistas como exteriores entre si, mas comportando cruzamentos, transações, interseções. (ESCOSTEGUY, 1999, p.147, grifos nossos).

É sob essa perspectiva gramsciana da hegemonia cultural, com sua “conquista do consentimento”, que a revista A Violeta está situada. Em sua obra Os intelectuais e a organização da cultura (1982), Gramsci concebe a hegemonia como a apropriação, por uma classe, da capacidade de direção cultural e ideológica, articulando seus interesses particulares com os interesses das demais classes, de modo a constituírem um interesse geral. Nesse sentido, a classe que visa à hegemonia cultural busca tal consenso por meio de um consentimento ativo, caracterizado pela conformidade com os padrões da classe política dominante.

Aplicando essa terminologia gramsciana para o contexto da revista A Violeta, pode-se dizer que suas redatoras, incialmente, buscaram “a conquista do consentimento” da imprensa e da sociedade cuiabana, a fim de, posteriormente, alcançar uma hegemonia cultural. Hegemonia esta que só seria possível pela formação de um núcleo de mulheres intelectuais que, obviamente, tivessem o devido reconhecimento social.

Para ficar mais claro, basta recorrer a um episódio, descrito por Gramsci, em que os missionários jesuítas reclamavam de que na Índia só conseguiam converter pessoas de castas inferiores, e pediram orientação ao Para sobre o que fazer:

Os intelectuais indianos são refratários à propaganda e o Papa disse que é preciso trabalhar também entre eles, tanto mais porque as massas populares se converteriam se se convertessem núcleos intelectuais importantes [o Papa conhece o mecanismo de reforma cultural das massas populares-camponesas mais do que muitos elementos do laicato de esquerda: ele sabe que uma grande massa não pode se converter molecularmente; deve-se, para apressar o processo, conquistar os dirigentes naturais das grandes massas, isto é, os intelectuais, ou formar grupos de intelectuais de novo tipo, o que explica a criação de bispos indígenas]; por isso, é necessário conhecer exatamente o modo de pensar e a ideologia destes intelectuais para melhor entender sua organização de hegemonia cultural e moral, a fim de destruí-la ou assimilá-la (GRAMSCI, 1982, p. 101, grifos nossos).

Aqui é fundamental a constatação feita por Gramsci de que, para realizar uma reforma cultural, é preciso: conquistar primeiramente os intelectuais, que são os dirigentes fundamentais das grandes massas; ou formar grupos de novos intelectuais que possam sucedê-los. E são justamente essas duas medidas que as senhoras e senhoritas responsáveis pela revista A Violeta acabaram desenvolvendo, tendo em vista atingir uma hegemonia cultural que possibilitasse a ressignificação da imagem da mulher.

Ao tratar da necessidade de se ter o consentimento dos intelectuais, percebe-se em Gramsci uma nova concepção de revolução. Para Gramsci, a verdadeira revolução não aconteceria através do conflito armado (na luta do proletariado contra seus patrões, como pensou Marx), mas por meio da cultura, reformando o “senso comum”.  Deste modo, a cultura passa a ser o grande palco da revolução, sendo um instrumento de transformação social, como fica evidente na definição de cultura apresentada por Gramsci, em Cadernos do cárcere (n.23):

Cultura significa indubitavelmente uma “concepção da vida e do homem” coerente, unitária e difundida nacionalmente, uma “religião laica”, uma filosofia que se tenha convertido precisamente em “cultura”, ou seja, que tenha gerado uma ética, um modo de viver, uma conduta civil e individual (GRAMSCI, 2000, p. 99, tradução nossa).

Assim, concebendo a perspectiva gramsciana de cultura enquanto uma concepção da vida e do ser humano, é possível afirmar que A Violeta foi um instrumento de revolução cultural na sociedade cuiabana, à medida que possibilitou gradativamente uma mudança na concepção do universo feminino e da atuação social das mulheres.

Considerações finais

Diante do que foi analisado tanto no que se refere ao contexto sociocultural no qual foi fundada a revista do Grêmio Literário “Júlia Lopes”, como em relação ao seu perfil editorial, constatou-se uma gradativa superação dos estereótipos acerca da mulher. Gradativa justamente porque, de início, a própria revista teve que se conformar com tais estereótipos e reproduzi-los, a fim de, estrategicamente, conseguir cooptar os setores responsáveis pela direção cultural da sociedade, principalmente a imprensa masculina.

Nesse sentido, as redatoras da revista A Violeta teceram um discurso marcado por ambiguidades, procurando simultaneamente combater as desconfianças, mas também iniciar um processo de transformação. Com esse intuito, exploraram significativamente a contradição, enquanto elemento constitutivo do real que aponta seu caráter inacabado, assumindo, assim, uma postura dialética.

Por meio dessa estratégia dialética, A Violeta atuou tanto como veículo de reprodução da cultura vigente, como também de produção de uma nova cultura, proporcionando uma ressignificação da condição feminina, na qual a mulher passava a assumir um protagonismo intelectual e profissional. Nessa perspectiva, a revista desenvolveu um importante papel no processo de transformação social, podendo ser considerada um instrumento de revolução cultural no início do século XX, em Mato Grosso.

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[1] O primeiro momento (tese), Hegel chamou de “lado abstrato ou intelectivo”; o segundo (antítese), denominou “lado dialético (em sentido estrito) ou negativamente racional”; e o terceiro (síntese), nomeou como “lado especulativo ou positivamente racional”.

 

Data de envio: 12 de outubro de 2016.