Poema de Luis de Góngora y Argote

Alckmar Luiz dos Santos

Dados da edição:

Mafuá, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 10, 2009. ISSNe: 1806-2555.

Como citar este artigo?

Abrimos aqui a seção Metafrasis em homenagem ao nosso amigo Jessé. Poderíamos falar de como ele gostava de traduzir ou, acima disso, de conhecer e trabalhar a matéria lingüística até seu fim, nas mais variadas línguas, muitas vezes deixadas de lado por nós. Mas tudo isso só nós serviria para reafirmarmos quanto ele nos tocou e continua a tocar. Façamos então algo mais prático; deixemos que seu impulso letrado nos sirva de motor para aprendermos e trabalharmos esse ato que se chama tradução.

Ao nosso amado amigo, Jessé Gabriel da Silva.

 


 

Com tanta distinção e graça tanta
Pranteia o rouxinol, que até suspeito
Haver outros milhões dentro do peito,
Tal é a dor profunda que ele canta;

E assim creio também que se levanta
— como certo sinal de seu direito —
O espírito, escrevendo algum mal feito
Nas ramas todas dessa verde planta.

Põe termo, pois, a todo diferendo,
Pois nem lamento nem mudada estância,
Azada seja, traz um fim à pena,

E apenas chore aquele que já sendo
Por Medusa em pedra posto, em sua cena
Não proclame seu mal, nem circunstância.

Tradução de Alckmar Luiz dos Santos

 


 

Con diferencia tal, con gracia tanta
aquel ruiseñor llora, que sospecho
que tiene otros cien mil dentro del pecho
que alternan su dolor por su garganta;

y aun creo que el espíritu levanta
—como en información de su derecho—
a escribir del cuñado el atroz hecho
en las hojas de aquella verde planta.

Ponga, pues, fin a las querellas que usa
pues ni quejarse ni mudar estanza
por pico ni por pluma se le veda,

y llore solo aquel que su Medusa
en piedra convirtió, por que no pueda
ni publicar su mal ni hacer mudanza.

Poema de Luis de Góngora y Argote