Proposta

É comum alunos se formarem no curso de Letras sem uma prática consolidada de pesquisa e de elaboração de textos críticos aptos à publicação. Contribui para essa deficiência, a falta de veículos dispostos a incentivar e publicar a produção de artigos e ensaios escritos por graduandos. Tais problemas, se não prejudicam a graduação, são detectados mais tarde, quando o graduado tenta dar continuidade à sua permanência na academia, nos cursos de pós-graduação ou como pesquisador.

Ao observarem essa situação entre os colegas da universidade, em 2003 os bolsistas e pesquisadores do Núcleo de Pesquisas em Informática, Literatura e Linguística (NUPILL) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) idealizaram um espaço em que alunos de graduação pudessem exercitar a produção e tivessem a oportunidade de publicar seus ensaios críticos, uma prática indispensável a quem pretende seguir a carreira acadêmica. A ideia culminou na criação da Mafuá, uma revista de literatura voltada para publicar trabalhos exclusivamente de alunos de graduação, disponível apenas em formato eletrônico, no endereço www.mafua.ufsc.br.

Com o compromisso não apenas de viabilizar um espaço, mas principalmente em dar qualidade à sua utilização, formou-se uma Comissão Editorial encarregada de ler e atribuir pareceres aos textos submetidos. Hoje, a comissão conta com dezessete professores doutores de diferentes regiões do Brasil e mais dois que atuam em universidades da França – Nice e Paris. Outra medida tomada na mesma direção foi providenciar, junto ao Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT), o Número Internacional Normalizado para Publicações Seriadas (ISSN), o que identifica a publicação em âmbito internacional e a torna única e definitiva.

Além dos ensaios críticos de literatura produzidos por graduandos, a revista traz ainda as seções Criação, Entrevista, Obras Raras e Ensaísta Bissexto. A primeira expõe trabalhos de criação literária ou visual, bem como experimentações digitais; a segunda, trata de uma breve conversa com algum artista ou escritor contemporâneo; e a terceira cumpre a importante função de fazer circular obras de difícil consulta, já que traz, em formato HTML, textos de pouca, ou nenhuma, circulação acadêmica. Já a sessão Ensaísta Bissexto publica ensaios literários produzidos por profissionais que atuam fora da academia.

Diferente do que ocorre com as publicações dos artigos e ensaios, em que os textos são submetidos e avaliados, as seções de Criação, Entrevista e Ensaísta Bissexto estão reservadas para convidados do Conselho Editorial. Essa medida foi tomada com a preocupação de que não houvesse um afastamento do principal objetivo da revista.