En Grèce, de Roland Barthes

Liliane Vargas Garcia

Dados da edição:

Mafuá, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 26, 2016. ISSNe: 1806-2555.

Sobre os autor(es):

rastro99@gmail.com
Universidade Federal de Santa Catarina
Florianópolis, Brasil

A tradução de En Grèce, de Roland Barthes, fez parte da pesquisa apresentada para obtenção do título de mestrado em crítica literária pela Universidade Federal de Santa Catarina. O texto original foi publicado pela Existence n° 33 em julho de 1944, uma revista trimestral da associação Les Étudiants do Centre Universitaire de Cure de Saint-Hilaire-du-Touvet e recompilado no primeiro volume das obras completas de Barthes publicado pela Editions Du Seuil em 1993. Ambos os textos são inéditos no Brasil e o objetivo da publicação desta tradução, revisada e atualizada, é tornar acessível ao meio acadêmico um de seus primeiros textos desenvolvidos com estética fragmentária, breve. Considere-se que Barthes viria a publicar seu primeiro livro, Le Degré Zero de l’Écriture, em 1953. Atualmente desenvolvo um projeto de doutorado em história da tradução na PGET, cujo objeto é refletir sobre as políticas tradutórias tomando como referência o Livro de Calila e Dimna, uma tradução afonsina de 1251, a partir da consideração do texto objeto enquanto texto fenômeno da prática tradutória, cultural e histórica do espaço onde é engendrado.

Do contexto ao texto de EN GRÈCE

Em 1938, Roland Barthes parte em viagem de férias à Grécia com o Grupo de Teatro Antigo. Relatando seu caminho, Barthes simultaneamente o traça, ou seja, sua escritura conforma o percurso como discurso e focaliza, enunciativa e ludicamente, o papel vetorial dos passos: desbrava a trilha para instaurar a viagem como texto e o texto como viagem.  Navega por entre ilhas descentradas, caminha e observa superfícies plurais e fragmentárias e evoca uma prática significante. A viagem descola-se de seus significados de prática mítica ou atividade socioeconômica e cristaliza um novo sentido: assume a fisiologia ascética de um olhar que atravessa a paisagem estilhaçando e reorganizando o “lugar” e reempreende a prática do “espaço” como significância, como desejo de leitura.

Prefigurando o já conhecido em outros textos, a pulverização da leitura sob a estética do fragmento desvela no relato En Grèce, o que Barthes denominou de tentação etnológica, uma prática que relaciona, associa e interroga objetos reputados de forma natural como a aparência, a gastronomia, as flores, a estatuária, os museus, o clima, a configuração histórica, a literatura, entre outros. Tomando notas e classificando uma realidade, o viajante constrói a leitura do Outro cuidando em não reduzi-lo ao mesmo ao empregar a estratégia de disseminar o sentido pelo discurso breve, pela escritura fragmentária. Sem perseguir a representação das proporções, a organização ou a estrutura, os detalhes apreendidos são encadeados em um tipo de composição aditiva que denota, porque conota, o processo de bricolage – termo transportado à antropologia por Lévi-Strauss; com essa perspectiva, opera com a extração e com o deslocamento do objeto dentro de uma realidade e produz uma autossuficiência que se resiste à integração totalizadora. O registro e a escritura partem de uma ideia por fragmento ou de um fragmento por ideia. Nesta aventura inaugural, cada fragmento de leitura gera uma escritura que pulveriza o sentido e favorece a disseminação das vozes. A escritura do relato En Grèce entrelaça imagens múltiplas de lugares e espaços, de percursos e discursos que se condensam numa forma breve.

A leitura da viagem como significância chama o texto a desvelar-se como travessia. Ao deslocar-se por entre ilhas descentradas o texto vai se definindo nesse movimento continuo que busca compor, recuperar, produzir sentidos a partir de detalhes apropriativos do contato particular com outro espaço cultural e, desta forma, ao articular o “recebido” em artefato através de uma operação de leitura, Barthes pratica a cultura produzindo-a como texto, isto é, essencialmente como linguagem.

Referências

BARTHES, Roland. En Grèce in: Existences, nº33, julho 1944.

 


 

NA GRÉCIA
Roland Barthes
Tradução de Liliane Vargas Garcia

ILHAS

Na Grécia, há tantas ilhas que não sabemos se cada uma é o centro ou a borda de um arquipélago. É também o país das ilhas viajantes: acreditamos reencontrar mais adiante aquela que acabamos de deixar.

Lembro-me de que tudo me pareceu muito pequeno: em Delos nós pensamos abordar um rochedo liminar, era a própria ilha. Algumas dessas ilhas são simples rochedos, outras perfilam horizontes brumosos em manhãs muito claras; outras são cobertas de bosques de pinheiros: outras, por fim, sobre sua terra violenta, expõem os grandes ossamentos brancas das cidades evaporadas.

ATENAS

No verão, as ruas são tão quentes, tão secas, que cheiram mal: o leite azedo, a carne estragada. Os salões de barbear, sombrios, mais frescos, fazem hesitar por sua miserável sujeira: entregamo-nos a seus cuidados com inquietação; mas a arte de barbear com suavidade é natural ao mais modesto rapaz que o faz melhor que em Paris; ele usa cremes múltiplos, duvidosos, mas passados com tanta leveza que esse mágico imundo adormece os temores e as repulsas. O cabeleireiro, o engraxate, o banhista são três produtos frequentes dos países mediterrâneos; como não podemos aniquilar corretamente a sujeira, adornamo-la, passamos um verniz; nesses assuntos, não se poupa nada: economiza-se mais água que creme: pomadas, ceras, cosméticos, abundam, substituem o sabão, como o óleo para os antigos gregos.

Em Falero há uma praia estreita aonde as pessoas vêm se banhar: a noite chega, os restaurantes e os cassinos se acendem; mesas são dispostas bem próximas ao mar obscuro; come-se sépias fritas, bebendo vinho seco, espesso, misturado com um pouco de resina. A abóbada celeste, a onda que bate suavemente, esta terra onde enfim se pisa lugares que acreditávamos até então puramente etéreos, o perfume de exotismo que lança, ali, uma noite de verão atravessada por músicas e rostos, tudo exalta, tudo compõe o quadro de uma aventura.

Há ainda, digno de nota, em Atenas, um grande parque público onde se fazem espetáculos noturnos em um teatro ao ar livre: vimos aí uma palhaçada declamada em um francês engraçado, tão deformado quanto o inglês falado em nossos circos. A isso se assiste, negligentemente, comendo sorvetes.

Os monumentos de Atenas são tão belos quanto sempre se disse. Há um bairro medíocre que gostei muito; está situado ao pé da Acrópole; são apenas ruas comerciais, curtas e estreitas, porém cheias de vida. Eu flanava por aí muitas vezes.

MUSEUS, ESTÁTUAS

Os Museus são frescos para o viajante torrificado. O Museu da Acrópole é pequeno, provinciano; ocupa o canto menos árido do planalto; um pouco de verde, restos pedregosos assinalam sua porta inferior; tem-se a impressão de entrar no estúdio de um escultor, em Montrouge ou em Fontenay; mais adiante, entre os ciprestes, fustes mutiladas, rodelas de coluna exprimem sua brancura ao sol.

O Museu Nacional contém belas estátuas; elas fazem sonhar. Os mármores estão bem brancos agora; mas diz-se que no tempo de sua adolescência essas estátuas possuíam uma aparência carnal; os corpos nus eram encerados e vestidos com uma patina transparente e sedosa. Outras estátuas eram coloridas, tinham enormes olhos pintados, olhares fixos e desajeitados de boneca. Talvez fosse de mau gosto, mas como conciliar as estátuas atuais, espécies de anjos da volúpia, cujo nu guarda algo de jansenista e a violência das tragédias, seus crimes, seus transes, seus choros, seus ardores, suas náuseas e a exaltação de suas paixões morais? Só resta agora o muito distinto; a Grécia foi bastante hábil para conseguir ruínas mais bonitas que suas obras primas; pelo menos ruínas universais, que não desagradaram a ninguém (exceto a São Paulo), capazes de ornar com igual êxito um castelo da Renascença, um parque do século XVIII ou uma peça de Giradoux; mas gostaríamos que às vezes, escapando ao estilo pelo qual são tão elogiadas, elas reencontrassem, na passagem entre uma e outra, alguma coisa de inajustado, mais conforme a desordem admirável do mundo e a paixão de seu tempo.

Nem tudo é dessa brancura lavada que se vê nos mármores e nos ossamentos; alguns bronzes lançam flamas negras: esta massa sombria, estes reflexos cruéis, dão à nudez um efeito mais incisivo; comunicam-lhe não se sabe que coloração de inferno, o que para alguns a torna mais aliciante. A imobilidade das estátuas contém também uma espécie de perversidade sobrenatural: Pigmalião está apaixonado por sua obra. Admeto quer substituir em seu leito Alceste por sua cópia em mármore; Cocteau povoa de estátuas seu filme “O Sangue de um Poeta”; tudo isso é surreal, como o Museu de Atenas não é senão o surreal do Museu Grévin. (Deve haver ainda entre os gregos outro surreal).

SALAMINA

Para chegar a essa ilha célebre embarcamos em um barquinho semelhante àqueles que fazem o serviço entre Saint-Malo e Dinard; na chegada se pode tomar um café sob o toldo, ele deixa na xícara minúscula uma borra densa e perfumada que estala sob o dente e que se lava num copo grande de água gelada, de modo que este inconveniente torna-se uma delícia.

Alcançamos o extremo da ilha em estradas cheias de uma lama calcinada pelo sol; lá, um bosque ralo de pinheiros abrigava alguns campistas; blusas, camisolas, pendiam entre as árvores. Afastamo-nos; o ar está abafado, o mar cintila; banhamo-nos durante toda a tarde; a água é tépida, imóvel, pouco profunda; em frente, a algumas braçadas apenas, um longo rochedo; é uma outra ilha, da qual não sei mais o nome. Sobre esta terra curta e plana, entre estas margens nuas, aflorando as águas calmas, a estratégia de uma batalha deveria ser de uma simplicidade cruel, inteiramente submetida à evidência; não são nem os campos de argila de Azincourt, onde pereceu, medieval e imóvel, um exército encantado, nem a planície sem recorte de Waterloo.

ACROCOLIA

No restaurante do Grand Alexandre, parece se perpetuar uma tradição da Grécia Antiga: comer acrocôlia, ou seja, entranhas, tudo o que treme, fica avermelhado (depois esverdeado) no interior dos animais. Os antigos gregos gostavam muito dessas carnes complicadas e decadentes; não comiam assados com prazer, mas os preteriam em favor de miolos, fígados, fetos, molejas e úberes, todas essas carnes moles e efêmeras, que talvez não deixassem de seduzi-los quando começavam a se decompor. Em compensação, no que diz respeito aos vinhos, eles eram de uma modéstia sutil; em geral, só bebiam vinho abundantemente misturado com água ( a proporção de uma oitava parte de vinho); isso bastava a muitos deles para se embriagarem; só se bebia vinho puro com o firme propósito de se embriagar completamente. É a prova de uma sobriedade engenhosa, sustentada não por virtude, mas para dar um impulso mais suave ao abandono da embriaguez, dos êxtases, das paixões. Uma embriaguez obtida com pouco vinho tem outra qualidade que uma embriaguez maciva; embriagar-se com pouca coisa era toda uma arte que conduzia a estados de delicada singularidade, quase divinos: os Orientais — em tudo próximos dos Gregos— praticavam a mesma ascese; sobre isso há versos de um poeta persa.

EGINA

Bosque de pinheiros muito baixos. Subida suave rumo ao templo, ar puro e molhado da aurora sobre as ruínas brancas de Afaia; divisa-se a costa clara de Ática; uma cortina de sol envolve os mármores, as lianas, as ervas, os braços torcidos das árvores. Há dias, buscamos alguém bonito que nos lembre do esplendor dos gregos antigos; agora é todo o contrário do que eram; muitos são homenzinhos trigueiros, de traços achatados, pele velha, de olhar oleoso, dentes ruins; só vimos, de belo, um pastor de dezesseis anos: ele tinha mechas louras, olhos azuis, um perfil puro e um ar de graça que se derramava sobre ele digno de Vénus; era Cármides, era Lísis, Clínias ou Autólico; em Egina, ele guardava seus animais; sorrindo, estendeu-nos grandes cachos de uva, e por toda parte ao redor, o ar resplandecia de sol, e sobre a terra escura, brilhava um orvalho fresco quase ácido.

FLORES

O vaso de Primavera representa somente dois homens e uma andorinha. Foi preciso ver um gerânio vermelho à porta do Museu de Elêusis para pensar que na Grécia, o verão não tem flores; a terra é tão violenta, os volumes, e não exatamente as cores, a substância do ar, e não seu brilho, envolvem de tal modo o olhar que não se percebe facilmente que a Grécia está ressequida. No momento só há, em algumas regiões, verdes brilhantes, rangentes e logo uma flor compacta, graciosa, mas não mole, viva, mas seca, flor de terra livre, nada de estufa, nada de húmus, nada de tórpidos bosques fechados. Outrora eram flores mais numerosas, mais doces, mas sempre simples, as flores-de-lis vermelhas e brancas, a rosa, a íris, o açafrão, a manjerona, o jacinto, o eufórbio marinho, a violeta escura, a hortelã, o serpilho e as Centaureas; flores sonoras como nomes de poetas: Anite, Muero, Melanípides, Erina, Alceu, Mnasalcas, Eufemo, e os gregos brincavam de entrelaçar os dois, flores e nomes, como no curioso poema: a guirlanda de Meleagro.

As planícies, os bosques, as colinas não têm flores; porém algumas se refugiaram no pátio dos conventos e das igrejas: em Dafní, ao longo da escada do pope, elas se aquecem no sol em velhos potes; têm a servidão feliz dos animais domésticos.

É possível que os países mudem ao mesmo tempo sua geografia bem como sua história? Jamais saberemos de quais árvores, de quais terras, de quais águas se embriagaram Ion, Ájax. Creúsa ou Cármides.

MICENAS, ARGOS, TIRINTO

São três montículos de cascalhos em uma planície pedregosa. O solo é negro, não nasce nada ali além de cascalhos pontudos. Entre duas ruínas, um corredor de rocha escura com uma das paredes toda luzente de usura: os rebanhos do rei, passando e repassando, encurvaram-na; ela brilha como o vão de um tobogã. Cantos sombrios têm a ver com a carniça, como o ar espesso e tórrido supõe a enorme mosca negra, com espartilho de colibri. Há veredas para fugir, elas se estendem nos escarpados como serpentes delgadas. Só há frescor em um grande túmulo: é uma sala escura, que tem cheiro de terra mofada. A cabeça e o coração giram suavemente.

Depois, erguida no cruzamento de duas pistas, na planície, eis uma pilha enorme de melões e de melancias: carmins, ocres, verdes ácidos, amarelos, rubros, alguns frutos abertos possuem ventres rosados.

SANTORINI (é uma ilha vulcânica)

Alugamos um barco e passeamos sobre águas obscuras, muito calmas; um velho e seu filho remavam, eles não se afastavam da sombra das falésias negras. Toda a brancura estava refugiada no topo da ilha, ou mais distante sobre o mar; pedras-pome flutuavam cinzentas e suaves como uma pelagem de rato; fizemos uma provisão delas; depois, cansados, as lançamos de volta à água; elas se desfolharam silenciosamente no rastro do barco.

DELOS

Ninguém mais habita essa ilhota. Há somente uma reles hospedaria onde se vendem quadros bordados e pequenos objetos de madeira; pode-se almoçar ovos cozidos, peixes, pimentas e azeitonas salgadas; a limonada esfria no poço da ilha.

Se subirmos sobre o Cinto, montículo pedregoso largo e alto como Montmartre, pode-se seguir com os olhos todos os contornos da ilha; entre estas duas lagunas, que do alto parecem diminutas, pouco maiores que um brinquedo de criança sobre a areia, estava o porto sagrado; entre os outros dois, o porto comercial, e este rochedo próximo, que eu poderia alcançar brincando de nadar um pouco? Não, não é mais Delos, já é uma outra ilha que tem seu nome, seu passado e outros cultos. Mesmo árida, definhada, deserta, Delos se impõe; eis-me aqui parado, quase no pico do Cinto, sobre o mosaico de uma vila romana; os olhares se elevam, a ilha se agranda; vemo-la tornar-se o centro de um circo de Cicladas que se enumeram em torno delas como laços azuis: Naxos, Paros, Andros, Tínos. Essa sucessão ordenada de luzes e de horizontes mais sólidos simboliza-me as núpcias da terra e da água, em nenhum lugar mais suntuosas que aqui; a ilha é o centro de um embrasamento solar; o sol insiste, ele engrossa o sangue, entra pelos olhos, pelas orelhas, podemos ouvi-lo. É um silêncio terebrante; depois ele atenua, alivia, aspira; prende em cada onda uma espada de chamas. Delos é uma ilha mágica onde se cruzam cintilações; torna-se pouco a pouco espelho; espelho de que? Pouco importa; os espelhos têm uma beleza sobrenatural; não conhecem o que refletem e nem sempre refletem o que veem.

O milagre desse embrasamento é seu frescor; é luz em estado puro, quase sem calor. É certo que lá em cima, somos iniciados em alguma coisa, que tomamos pela Grécia, e que não seja talvez nada além do Fogo. É preciso subir o Cinto ao meio-dia, a hora mais perpendicular, a hora reta e profunda onde a chama solar vai ao coração das terras, ao fundo dos peitos, e traça sobre os olhos, com o um signo, uma ferida de fogo, seca com o uma ferida de amor.

Ora Delos mesma é a hora meridiana da mais meridiana das terras; é o sumo, o espírito, o álcool, o fogo de um mundo; basta uma determinada conjunção do sol, da água e da terra para sentir isso.

 


EN GRÈCE
Roland Barthes

ILES.

En Grèce, il y a tant d’îles qu’on ne sait si chacune est le centre ou le bord d’un archipel. C’est aussi le pays des îles voyageuses : on croit retrouver plus loin celle qu’on vient de quitter.

Je retiens que tout me parut très petit : à Délos nous croûmes aborder un rocher liminaire, c’était l’île elle-mème. Certaines  de ces îles sont de simples rochers ; d’autres profilent des horizons brumeux dans des matins très clairs ; d’autres sont couvertes de bois de pins ; d’autres enfin, sur leur terre violente, exposent les grands ossements blancs des villes évaporées.

ATHÈNES.

En été, les rues sont si chaudes, si sèches, qu’elles sentent mauvais : le lait toruné, la viande gâtée. Les échoppes de coiffeur , sombres, plus fraîches, font reculer par leur misérable saleté ; on s’y confie avec inquiétude ; mais l’art de raser avec douceur est naturel au moindre garçon, qui le fait mieux qu’à Paris ; il use de crèmes multiples, douleuses, mais passés avec tant de légéreté que ce magicien crasseux endort les craintes et les répulsions. Le coiffeur, le cireur, le maître de bains sont trois produits fréquents des pays méditerranéens ; comme on ne peut pas bien anéantir la saleté, on l’orne, on lui donne du glacis ; sur ce chapitre, on ne ménage rien : on est plus avare d’eau que d’enduits : pommades, cirages, cosmétiques, abondent, tiennent lieu de savon, comme l’huile chez les anciens Grecs.

A Phalère, il y a une plage étroite, où les gnes d’Athènes viennent se baigner ; la nuit arrive, les restaurants et les casinos s’allument ; des tables sont dressées tout contre la mer obscure ; on mange des fritures de sèches, en buvant du vin dur, épais, mêlé d’un peu de résine. La voûte du ciel, la vague qui bat doucement, cette terre où l’on foule enfin des lieux que l’on croyait jusqu’alors purement éthérés, le parfum d’exostisme qu’y jette une nuit d’été traversée de musiques et de visages, tout exalte, tout compose le cadre dùne aventure.

Il y a encore de remarcable, à Athènes, un grand parc publique où l’on donne des représentations nocturnes sur un théâtre de verdure ; nous y avons vu une clownerie débitée dans un drôle de français, aussi déformé que l’anglais parlé dans nos cirques. On assiste négligemment à cela en mangeant des glaces.

Les monuments d’Athènes sont aussi beaux qu’on l’a souvent dit. Il y a un méchant quartier que j’aimais beaucoup ; il est situé au pied de l’Acropole ; ce ne sont que des rues marchandes, courtes et étroites, mais pleines de vie ; j’y flânais souvent.

MUSÉES, STATUES.

Les Musées sont frais au voyageur torréfié. Le Musée de l’Acropole est petit, provincial ; il occupe le coin le moins aride du plateau ; un peu de verdure, des débris pierreux signalent sa porte basse ; on croit entrer dans l’atelier d’un sculpteur, à Montrouge ou à Fontenay ; plus loin entre les cyprès, des fûts tronqué, des rondelles de colonnes expriment leur blancheur au soleil.

Le Musée national contient de belles statues ; elles font rêver. Les marbres sont maintenant très blancs; mais on dit qu’au temps de leur adolescence ces statues avaient une apparence charnelle ; les corps nus étaient passés à la cire et vêtus d’une pâtine transparente et soyeuse. D’autres statues étaient coloriées, avaient de gros yeux peints, des regards fixes et maladroits de poupée. Peut-être était-ce de mauvais goût, mais quel accord trouver entre les statues actuelles, sortes dànges de la volupté, dont le nu garde quelque chose de janséniste, et la violence des tragédies, leurs crimes, leurs transes, leurs pleurs, leurs ardeurs, leurs nausées et l’exlatation de leurs passions morales? Maintenant il ne reste que du très distingué; la Grèce a été assez habile pour se ménager des ruines plus belles que ses chefs d’œuvres ; tout au moins des ruines universelles, qui n’ont déplu a personne (sauf à Saint Paul), capables d’orner avec autant de bonheur un château de la Renaissance, un par du XVIIIe siècle ou une piece de Girandoux ; mais on voudrait parfois qu’échappant au style dont elles sont tant louées, elles retrouvent de l’une à l’autre quelque chose d’inconcerté, plus conforme au désordre admirable du monde et à la passion de leur temps.

Tout n’est pas de cette blancheur lavée que l’on voit aus marbres et aux ossements ; quelques bronzes jettent des feux noirs. Cette pâle sombre, ces reflets cruels, donnent à la nudité un effet plus incisif, il lui communiquent on ne sait quelle colaración d’enfer, ce qui pour certians ne doit pas manquer d’une sorte de pervesité surnaturelle : Pygmalion est amoureux de son œuvre, Admete veut remplacer dans son lit Alceste par son double en marbre. Cocteau peuple de statues son fil « Le Sang du Poète » ; tout ceciest surréel, comme le Musée d’Athènes n’est autre chose que le suréel du Musée Grevin (il y a encore chez les Grecs bien d’autre surréel).

SALAMINE.

Pour joindre cette île célèbre, nous avons embarqué dans un petit rafiot semblable à ceux qui font le service entre Saint-Malo et Dinard ; en arrivant, on peut prendre, sous la tente, un café ; Il laisse dans la tasse minuscule une boue dense et parfumée qui craque sous la dent et qu’on lave par un grand verre d’eau glacée, en sorte que ce défaut devient un délice.

Nous avons gagné le bout de l’île sur des routes emplies d’une boue calcinée par le soleil ; là, un léger bois de pins abritait quelques campeurs ; des tricots, des camisoles pendaient entre les arbres. On s’écarte; l’air est embrasé, la mer scitille; on se baigne toute l’après-midi ; l’eau est tiède, immobile, peu profonde ; en face, à peine à quelaques brasses, un long rocher ; c’est une autre île, je n’en sais plus le nom. Sur cette terre courte et plate, entre ces rives nues, affleurant les eaux calmes, la stratégie d’une bataille devait être d’une simplicité cruelle, toute entière soumise à l’évidence ; ce ne sont ni les champs de glaise d’Azincourt, où périt, médiévale et immobile, une armée enchantée, ni la plaine sans dessin de Waterloo.

ACROCOLIA.

Au restaurant du Garnd Alexandre, il semble se perpétuer une tradición de la grèce Antique : manger des acrocôlia, c’est-à-dire de la trapaille, tout ce qui tremble, rougeoie (plus verdit), à l’interieur des bêtes. Les anciens Grecs aimaient beaucoup ces viandes compliquées et décadentes ; ils ne mangeaient pas de rôtis avec plaisir, mais leur préféraient des cervelles, des foies, des fétus, des ris et de mamelles, toutes ces viandes molles et éphémères, qui ne cessaient peut-être pas de les allècher quand elles commençaient à se corrompre. Par contre, à l’égard des vins, ils étaient d’une modestie subtile; en général, ils ne buvaient que du vin largement coupé d’eau (jusqu’à un huitieme seulement de vin) ; cela suffisait à beacoup pour être grisés; on ne buvait de vin pur que par le ferme dessein de s’enivrer complètement. C’est la preuve d’une sobriété ingénieuse entretenue non par vertu, mais pour donner un envol plus léger au lâcher des ivresses, des extases, des passions. Une ivresse obtenue avec peu de vin est d’une qualité toute autre qu’une ivresse massive; s’énivre a peu de frais était tout un art qui conduisait à des états d’une exquise singularité , presque divins ; les Orientaux – partout si proche des Grecs – pratiquaient la mème ascèse ; il y a là-dessus des vers d’un poète persan.

EGINE.

Bois de pins très bas. Douce montée vers le temple, air pur et mouilé de l’aube, aurore sur les ruines blanches d’Aphaia ; on aperçoit la côte claire de l’Attique ; une nappe de soleil enveloppe les marbres, les lianes, les herbes, les bras tors des arbres. Depuis des jours, nous cherchons quelqu’un de beau qui nous rappelle la splendeur des anciens Grecs ; maintenant c’est tout le contraire de ce qu’ils étaient ; beaucoup de petits hommes noirauds, aux traits aplatis, à la peau vielle, au regard huileux, aux dents mauvaises ; nous n’avons vu de beau qu’un berger de seize ains; il avait des mèches blondes, des yeux bleus, un profil pur et un air de vénusté répandu sur tout lui ; c’était Charmide, c’était Lysis, Clinias ou Autolycos ; dans Egine, il gardait ses bêtes ; il nous a tendu en souriant de grosses grappes de raisin, et partout autour, l’air éclatait de soleil, et sur la terre brune, brillait une rose fraîche jusqu’à l’acidité.

FLEURS.

Le vase du Printemps figure seulement deux hommes et une hirondelle. Il a fallu voir un géranium rouge à la porte du Musée d’Eleusis pour penser qu’en Grèce, l’été n’a point de fleurs; la terre est si violente,  les volumes, et non à proprement parler les couleurs, la substance de l’air, et non son éclat, emplissent tellement le regard qu’on ne s’aperçoit pas facilement que la Grèce est desséchée. Maintenant, il n’y a plus que, dans certaines contrrées, des verdures brillantes, craquantes, et tantôt une fleur drue, gracieuse mais non molle, vive, mais sèche, fleur de terre libre, rien de la serre, rien de l’humus, rien des torpides sous-bois. Autrefois, c’étaient des fleurs plus nombreuses, plus douces, mais toujours simples, les lys rouges et blancs, la rose, l’iris, le safrau, la marjolaine, l’hyacinthe, l’euphorbe marine, la violette sombre, la menthe, le serpolet et les bleuets ; fleurs sonores comme des noms de poètes: Anyté, Mœro, Mélanippide, erinna, Alcée, Mnasalcas, Euphémos, et les Grecs jouaient à entrelacer les deus, fleurs et noms, comme dans le curieux poème : la couronne de Méléagre.

Les plaines, les bois, les collines n’ont pas des fleurs ; mais certaines se sont réfugiées dans la cour des convents et des églises ; à Daphné, le long de l’escalier du pope, elles se chauffent au soleil dans de vieux pots ; elles ont la servitude heureuse des animaux domestiques.

Se peut-il que les pays changent ainsi leur geographie en meme temps que leur histoire? Nous ne saurons jamais de quels arbres, de quelles terres, de quelles eaux s’enivrèrent Ion, Ajax, Créuse ou Charmide.

MYCÈNES, ARGOS, TYRINTHE.

Ce sont trois monticules de rocailles dans une plaine pierreuse. Le sol est noir, il n’y pousse rien, que des galets pointus. Entre deux ruines, un couloir de roc sombre, dont une paroi est toute luisante d’usure : les troupeaux du roi, passant et repassant, l’ont incurvée ; elle brille comme le creux d’un toboggan. Des coins sombre impliquent la charogne, comme l’air épais et torride suppose la grosse mouche noire, au corset de colibri. Il y a des sentiers pour fuir, ils filent dans les escarpements comme des serpents minces. Il n’y a de fraîcheur que dans un grand tombeau; c’est une salle noire, qui sent la terre moisie. La tete et le cœur tournent doucement.

Puis dressé au croisement de deux pistes, dans la plaine, voici un tas énorme de melons et de pastèques; des carmins, des ocres, des verts acides, des jaunes, des roux ; quelques fruits ouverts ont des ventres roses.

SANTORIN (c’est une île volcanique).

Nous avons loué une barque et nous nous sommes promenés sur des eaux obscures, très calmes ; un vieux et son fils ramaient ; ils ne quittaient pas l’ombre des falaises noires. Toute la blancheur était réfugié au sommet de l’île, ou plus loin sur la mer. Des pierres ponces flottaient, grises et douces comme un pelage de souris; nous en avons fait provision ; puis, lassés, nous les ayons rejetées à l’eau ; elle se sont efeuillées silencieusement dans le sillage de la barque.

DÉLOS.

Personne n’habite plus cet îlot ; il n’y a plus qu’une auberge basse où l’on vend des toiles brodées et des petits objets en bois ; on y déjeune d’œufs durs, de poissons, de piments et d’olives salées ; la limonade rafraîchit dans le puits de l’île.

Si l’on monté sur Cynthe, bosse rocailleuse large et haute comme Montmartre, on peut suivre des yeux tous les contours de l’île ; entre ces deux lagunes, qui du haut paraissent minces, à peine moins qu’un jeu d’enfant sur le sable, était le port sacré; entre les deux autres, le port marchand, et ce roche tout près, que je pourrais atteindre en jouant à nager un peu? Non, ce n’est plus Délos, c’est déjà une autre île qui a son nom, son passé et d’autres cultes. Mais sèche, rabourgrie, déserte, Délos s’impose ; me voici arrèté , presque au sommet du Cynthe, sur la mosaïque d’une villa romaine ; les regards s’élèvent, l’île s’agrandit ; on la voit devenir le centre d’un cirque de Cyclades qui se dénombrent autour d’elles comme des liens bleus : Naxos, Paors, Andros, Tinos. Cette sucessión ordonée de lumières et d’horizons plus solides me symbolise les noces de la terre et de l’eau, nulle part plus somptueuses qu’ici ; l’île est le centre d’un embrasement solaire ; le soleil insiste ; il épaissit le sang, il dntre par les yeux, par les oreilles, on l’entend, c’est un silence térébrant ; puis il dilue, allège, aspire ; il attache à chaque vague une épée de flammes. Délos est une île magique où se croisent des étincellemensts ; elee devient peu à peu miroir : miroir de quoi ? Peu importe ; les miroirs ont une beauté surnaturelle : ils ne conaissent pas ce qu’ils reflètent et ils ne relètent pas toujours ce qu’ils voient.

Le miracle de cet embrasement, c’est sa fraîcheur ; c’est de la lumière à l’eta pur, sans presque de chaleur. Il est certain que là-haut, on est initié à quelque chose que l’on prend por la Grèceet qui est peut-être autre que le Feu. Il fau gravir le Cynthe à midi, à l’heure la plus perpendiculaire, l’heure droite et profonde où la flamme solaire va au cœur des terres, au fond des poitrines, et trace sur les yeux, comme un signe, une blessure de feu, sèche comme une blessure d’amour.

Or Délos même est l’heure méridienne de la plus méridienne des terres ; c’est le suc, l’esprit, l’alcool, le feu d’un monde ; il suffit d’une certaine conjonction du soleil, de l’eau et de la terre pour sentir cela.