Cromos, de B. Lopes

Isabela Melim Borges

Dados da edição:

Mafuá, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 15, 2011. ISSNe: 1806-2555.

Cromos

B. Lopes

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Bernardino da Costa Lopes nasceu no arraial da Boa Esperança, município de Rio Bonito, no Rio de Janeiro, em 19 de janeiro de 1859. Poeta mulato nascido então antes do fim da escravidão, mas filho de pais livres e de classe média baixa, o pai, Antônio da Costa Lopes, escrivão; a mãe, Mariana, costureira e bordadeira, conseguiu ser aceito pela sociedade da época.

Residiu em Santa Ana de Japuíba sob a condição de caixeirinho e, neste mesmo lugar iniciou seus estudos. Mais tarde, mediante concurso, mudou-se para o Rio de Janeiro com a finalidade de exercer cargo no funcionalismo fiscal. Aposentou-se prematuramente como funcionário da 9a seção da Diretoria Geral dos Correios, devido à invalidez ocasionada por uma vida desregrada e boêmia.

Casou-se com Cleta Vitória de Macedo e teve com ela cinco filhos, todos criados apenas pela esposa, pois o poeta havia encontrado a “mulher de sua vida”. Era “Sinhá Flor”, cujo nome real era Adelaide Uchoa Cavalcante, divorciada e já tendo filhos e netos, com a qual teve um relacionamento extremamente conturbado. Foi para ela que B. Lopes escreveu o livro homônimo.

No que diz respeito a sua obra, segundo Andrade Muricy, foi no ano de 1881, quando o Parnasianismo ainda não tinha se afirmado e o Simbolismo esperaria aproximadamente doze anos para seu tímido florescimento, que surge seu livro Cromos. Para Muricy, B. Lopes conseguiu dar à linguagem poética uma feição naturalista e mais familiar, já sem a idealização e a ebriedade romãnticas, distanciando-se assim de Ezequiel Freire, este um dos poetas de grande influência em sua obra, além dos parnasianos Teófilo Dias e Gonçalves Crespo.

B. Lopes, juntamente com Emiliano Pernetta, Oscar Rosas, Cruz e Souza, Gonzaga Duque, J. H. de Santa Rita, Virgílio Várzea, Lima Campos, Artur de Miranda Ribeiro, Mário Pederneiras e Azevedo Cruz, formam o primeiro grupo de simbolistas, dentre os quais nosso poeta é quem, à época, seguramente tem mais prestígio. Mas ressalte-se que sua poesia não é clara nem resolutamente simbolista. Várias influências se misturam nela de maneira surpreendentemente harmoniosa. Em outras palavras, B. Lopes trabalhou as vertentes parnasiana e simbolista ao mesmo tempo, ou seja, o que impossibilitou os críticos de o classificarem como simbolista ou parnasiano. E foi dentro de toda essa atmosfera, biográfica e intelectual, profissional e literária, que o poeta escreveu sua obra poética. Mas toda essa produção, se granjeou a admiração de vários jovens que então se iniciavam nas letras, não resultou em prestígio nem respeito por parte da crítica estabelecida. Consta o poeta, no prefácio do livro Ânforas, do poeta piauiense Jonas da Silva, queixou-se dos críticos, que lhe negavam sinceridade e espontaneidade. Entre os intelectuais das famosas rodas boêmias do Rio de Janeiro de fin-de-siècle, B. Lopes até mesmo ridicularizado, sobretudo pelo implacável Emílio de Menezes.

Em 1916, Bernardino da Costa Lopes foi internado no Hospício Nacional de Alienados para uma desintoxicação alcoólica. Logo depois voltou à sua casa onde teve uma crise epilética, ou talvez, segundo Muricy, “um assomo de delírio”. Morreu em 18 de setembro do mesmo ano, esquecido e desconsiderado, com então 57 anos.

Obra poética: Cromos (1881), Pizzicatos (1886), Dona Carmen (1890), Brasões (1895), Sinhá Flor (1899), Val de lírios (1900), Helenos (1901), Patrício (1904) e Plumário (1905).

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