John Charrington’s Wedding (c. 1987), de Edith Nesbit

Robson de Barros Valadares

Dados da edição:

Mafuá, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 17, 2011. ISSNe: 1806-2555.

Como citar este texto?

Sobre os autor(es):

Robson de Barros Valadares
Bacharel em Tradução: UFOP/ICHS/DELET
valadaresrobson@yahoo.com.br

O texto ficcional apresentado nesta seção, de autoria da escritora inglesa Edith Nesbit, apresenta-se como uma história onde o misterioso e o sobrenatural povoam a narrativa. Mesmo que a autora, nascida no subúrbio de Londres em 1858, tenha se dedicado na maior parte da sua vida a escrever para o público infantil, alguns de seus trabalhos voltados à temática do horror não deixaram de ser conhecidos, como é o caso de John Charrington’s Wedding. Na sua tradução, intitulada O casamento de John Charrington, Robson Valadares — bacharel em Tradução pela Universidade Federal de Ouro Preto — possibilita que os leitores de língua portuguesa possam usufruir da história de John e May Forster, em meio ao intrigante cenário de um casamento criado pela autora em sua narrativa.

Edith Nesbit é figura dominante na literatura infantil, mas seus trabalhos de ficção sobrenatural e de horror são menos conhecidos. O casamento de John Charrington parece, à primeira vista, apenas uma fantasia romântica sobre o amor conquistando tudo, mas existe mais do que um toque do Shalken the Painter, de Le Fanu, e Clara Militch, de Ivan Turgenev, nesta pequena peça escrita por uma mulher que estava no centro do movimento intelectual de seu tempo.

O texto original foi publicado em The dark descent, de Stephen King, Clive Barker et al, pela Tom Doherty Associate: Nova Iorque, 1987, p. 203-208.

 


 

O casamento de John Charrington

Ninguém nunca imaginou que May Forster se casaria com John Charrington, mas ele não pensava o mesmo, e as coisas que John Charrington planeja tinham uma forma estranha de acontecer. Ele a pediu em casamento antes de ir para Oxford. Ela riu e recusou. Propôs-lhe novamente na primeira vez que voltou para casa. Ela riu outra vez, jogou a bela cabeça loura para trás e recusou de novo. Na terceira vez que lhe propôs, ela disse que aquilo já estava virando um hábito inveterado e riu dele mais do que nunca.

John não era o único que queria se casar com May. Era a moça mais bonita da cidade e todos estávamos mais ou menos apaixonados por ela. Era um tipo de moda, como as gravatas lilases ou as capas Inverness. Portanto ficamos tão aborrecidos quantos assustados quando John Charrington entrou em nosso pequeno clube, que era num sótão encima da selaria, eu me lembro, e nos convidou a todos para seu casamento.

— Seu casamento?

— Você não está falando sério?

— Quem é a felizarda? Quando é que vai ser?

John Charrington encheu o cachimbo e o acendeu antes de responder. Então disse:

— Sinto privá-los de sua única piada, meus amigos, mas a senhorita Forster e eu vamos nos casar em setembro.

— Você não está falando sério, está?

— Ele tomou outro pontapé e isso mexeu com a cabeça dele.

— Não — eu disse ao me levantar — vejo que é verdade. Alguém me empreste uma arma ou uma passagem de primeira classe para o para o fim do mundo. Charrington enfeitiçou a única garota bonita num raio de trinta quilômetros. Foi hipnotismo ou uma poção do amor, John?

— Nem um nem outro, senhor, e sim um dom que vocês nunca terão. Perseverança. E mais sorte do que qualquer homem no mundo.

Havia algo na sua voz que me calar, e todas as zombarias dos outros também fracassaram em fazê-lo falar mais.

O mais estranho nisso foi quando parabenizamos a senhorita Forster. Ela corou e sorriu, sorriu amplamente, por todo o mundo, como se estivesse apaixonada, e estava, todo o tempo. Dou minha palavra de que estava. As mulheres são criaturas estranhas.

Fomos todos convidados para o casamento. Em Brixham todos que eram alguém conheciam alguém que também o era. Minha irmãs, estou convicto, estavam mais interessadas no enxoval do que a própria noiva, e eu seria o padrinho. O casamento era muito discutido nas mesas à hora do chá e no nosso pequeno clube encima da selaria, e a pergunta era sempre a mesma: ela gosta dele?

Eu costumava me fazer essa pergunta no início do noivado, mas depois de um certo fim de tarde de agosto não mais a repeti. Estava indo do clube para casa através do adro da igreja. Nossa igreja fica no alto de uma colina coberta de timo, e a grama ao seu redor era tão densa e macia que abafava o som dos passos de quem por ali passava.

Não fiz barulho algum quando saltei por cima do muro coberto de musgo e caminhei entre os túmulos. No mesmo instante ouvi a voz de John Charrington e a avistei. May estava sentada numa lápide baixa e plana e seu rosto estava virado para o esplendor do sol poente. A expressão daquele rosto, de uma vez por todas, acabou com qualquer dúvida de seu amor por ele. Estava transfigurado numa beleza que eu não teria acreditado ser possível, mesmo para um rostinho tão belo quanto aquele.

John estava deitado aos seus pés, e foi sua voz que quebrou o silêncio do fim daquela tarde dourada de agosto.

— Minha querida, acredito que voltaria dos mortos se você quisesse.

Naquele instante tossi para indicar minha presença e, entrei nas sombras, completamente esclarecido.

O casamento seria no início de setembro. Dois dias antes tive que ir à cidade a negócios. O trem estava atrasado, claro, pois estávamos no sudeste e quando estava resmungado com o relógio na mão, quem poderia ver senão John Charrington e May Forster. Estavam caminhando de um lado para o outro na pouco frequentado extremidade da plataforma, de braços dados, olhando um nos olhos do outro, sem se importarem com o olhar admirado dos carregadores.

Claro que fui sagaz o suficiente para hesitar um pouco antes de me esconder no guichê de passagens e não antes do trem chegar à plataforma que, de maneira impertinente, passei pelo casal com minha maleta e ocupei um canto do vagão de fumantes da primeira classe. Assumi um ar de indiferença tão bom quanto pude ao passar por eles. Orgulhei-me da minha discrição, se John estava viajando sozinho e eu gostaria de sua companhia. E a tive.

— Olá, meu velho — chegou ao meus ouvidos sua voz alegre ao balançar a maleta para entrar no vagão. — Que sorte, pensei que fosse mais uma viagem enfadonha!

— Para onde vai? — perguntei sem fitá-lo, desviando os olhos por discrição, apesar de sentir, mesmo sem olhar, que os dela estavam vermelhos.

— Para a casa do velho Branbridge — respondeu fechando a porta e se inclinando para fora para uma última palavra com sua amada.

— Gostaria que você não fosse, John — disse numa voz baixa e sincera. — Sinto que algo vai acontecer.

— Você acha que eu deveria deixar algo me deter, sendo depois de amanhã o dia do nosso casamento?

— Não vá — suplicou com tanta intensidade que teria mandado minha maleta direto para a plataforma, comigo logo atrás. Mas não estava falando comigo. John Charrington era diferente, pois raramente voltava atrás nas suas opiniões e nunca nas suas decisões.

Ele apenas acariciou as mãozinhas sem luvas que segurava a porta do vagão.

— Eu preciso, May. O velho foi tão bom para mim e agora que está morrendo preciso vê-lo, mas voltarei a tempo para… — a outra parte foi apenas um sussurro perdido entre os rangidos do trem que partia.

— Tem certeza que chegará a tempo? — disse enquanto já o trem se movia.

— Nada vai me deter — e partimos. Depois de ver os últimos traços da pequena silhueta desaparecerem na plataforma, recostou-se no seu canto e ficou em silêncio por um instante.

Quando falou foi para explicar que seu padrinho, de quem era herdeiro, se encontrava moribundo numa cama no Peasmarsh Place, a uns oitenta quilômetros dali, tinha mandado buscá-lo e John sentiu-se obrigado a ir.

— Amanhã devo estar de volta — disse — ou, se não, no dia seguinte, com tempo de sobra. Graças a Deus, hoje em dia, não se tem mais que se levantar no meio da noite para se casar!

— E se o senhor Branbridge morrer?

— Morto ou vivo, pretendo me casar na quinta-feira! — Respondeu acendendo um charuto e desdobrando o The Times.

Em Peasmarsh nos despedimos e ele saltou e o vi se afastar. Fui para Londres, onde passei a noite.

Quando cheguei a minha casa na tarde seguinte, chuvosa por sinal, minha irmã Fanny cumprimentou-me dizendo:

— Onde está o senhor Charrington?

— Só Deus sabe — respondi impaciente. Todo homem, desde Caim, se ofendia com aquela pergunta.

— Pensei que tivesse notícias dele — continuou — já que você vai ser padrinho dele amanhã.

— Ele não voltou? — Perguntei, porque esperava encontrá-lo em casa, com certeza.

— Não Geoffrey — minha irmã Fanny sempre tinha uma maneira de chegar a conclusões, especialmente àquelas que eram pouco favoráveis aos seus próximos — ele não voltou, e, além disso, pode ser que não venha. Escreva o eu que digo, não haverá casamento nenhum amanhã.

Minha irmã Fanny tem a capacidade de me irritar a um ponto que nenhuma outra pessoa consegue.

— “Escreva o que eu digo” — arremedei de maneira mordaz — é melhor parar de se fazer de tão idiota. É mais certo que haja casamento amanhã do que você algum dia se casar. — uma profecia que, por sinal, se realizou.

Mas apesar de ter rosnado confiantemente para minha irmã, não me sentia tão à vontade quando, mais tarde naquela noite, de pé à porta da casa de John, ouvi que não tinha voltado. Voltei para casa, melancólico, na chuva. A manhã seguinte trouxe um céu azul brilhante, um sol dourado e toda uma suavidade do ar e beleza das nuvens como se fosse fazer um dia perfeito. Acordei com um sentimento vago de ter ido dormir ansioso e de ser adverso a enfrentar aquela ansiedade à luz da completa vigília.

Mas logo bem cedo chegou um bilhete de John que punha fim às minhas preocupações e me levou à casa dos Forster de coração aliviado.

May estava no jardim. Vi seu vestido azul surgir através das malvas ao entrar pelos portões do chalé, que balançaram atrás de mim quando passei. Portanto não subi até a casa, mas desci a trilha gramada.

— Ele escreveu para você — disse, sem qualquer saudação prévia, quando cheguei ao seu lado.

— Sim, vou encontrá-lo na estação às três e seguimos direto para a igreja.

Seu rosto ficou pálido, mas havia um brilho nos seus olhos e um fraco tremor próximo à boca, como um sinal de felicidade renovada.

— O senhor Branbridge implorou para que ficasse mais uma noite e ele não teve coragem de recusar — continuou. — Ele é tão gentil, mas gostaria que não tivesse ficado.

Às duas e meia, eu estava na estação. Estava um tanto chateado com John. Parecia um tipo de menosprezo pela linda moça que o amava, o fato de chegar, daquele jeito, sem fôlego e coberto de pó da viagem, para receber sua mão, pela qual alguns de nós teriam dado os melhores anos de nossas vidas.

Mas quando o trem chegou de mansinho e saiu de novo, da mesma forma, não tendo trazido nenhum passageiro para a estação, fiquei mais do que aborrecido. Não havia trem nos próximos trinta e cinco minutos, e calculei que, se nos apressássemos muito, poderíamos chegar à igreja a tempo para a cerimônia. Mas, ah, que besteira perder o primeiro trem! Que outro homem poderia tê-lo feito?

Aqueles trinta e cinco minutos pareceram um ano enquanto eu vagava pela estação, lendo os anúncios de propaganda, os quadros de horários e o regimento da companhia, ficando mais e mais nervoso com John Charrington. Essa confiança no poder que tinha de conseguir tudo o que queria no momento em que queria o estava levando longe demais. Odeio esperar. Todos odeiam, mas acho que odeio mais do que qualquer outra pessoa. O trem das três e trinta e cinco estava atrasado, é claro.

Apertei o cachimbo entre os dentes e bati os pés com impaciência enquanto observava os sinais. Clique. O sinal mudou. Cinco minutos mais tarde precipitava-me dentro da carruagem que trouxera para John.

— Toque para a igreja! — disse enquanto alguém fechou a porta. — O senhor Charrington não veio nesse trem.

Agora a ansiedade substituía a raiva. O que teria acontecido a ele? Poderia ter ficado doente de repente? Nunca soube que tivesse ficado doente um só dia em sua vida. E mesmo se ficasse poderia ter telegrafado. Algum acidente horrível deve ter acontecido. O pensamento de que ele a teria enganado passou-me pela cabeça, mas não, nem por um momento. Sim, algo terrível tinha lhe acontecido e cabia a mim a tarefa contar para a noiva. Quase desejei que a coche virasse e quebrasse minha cabeça para que outra pessoa tivesse que lhe dar a notícia, não eu que… mas isso não tem nada a ver com essa história.

Faltavam cinco minutos para as quatro quando chegamos à frente do portão do adro da igreja. Duas fileiras de curiosos, uma de cada lado do caminho coberto, se estendiam do portão até o pórtico. Pulei do coche e passei entre elas. Nosso jardineiro estava num bom lugar, próximo à porta principal. Ali parei.

— Ainda estão esperando, Byles? — perguntei, apenas para ganhar tempo, pois sabia que estavam pela atitude atenta do grupo.

— Esperando, senhor? Não, não senhor. Deve estar terminando agora.

— Terminando! Então o senhor Charrington veio?

— Pontualmente, senhor. Devem ter se desencontrado de alguma forma, e digo uma coisa, senhor, e baixando a voz disse — nunca vi o senhor John tão adiantado, mas minha opinião é que andou bebendo um bocado. Sua roupa estava toda empoeirada e o rosto, pálido como um lençol. Digo mais, não gostei da aparência dele em absoluto e as pessoas estão dizendo todos os tipos de coisas lá dentro. O senhor verá, algo de errado aconteceu ao senhor John e ele bebeu. Parecia um fantasma e entrou direto olhando bem em frente, sem dirigir um olhar ou palavra a nenhum de nós, logo ele que sempre foi tão cavalheiro.

Nunca tinha ouvido Byles falar por tanto tempo. No adro da igreja, o grupo estava cochichando e preparando o arroz e as flores para jogar nos noivos. Os sineiros estavam prontos, com as mãos nas cordas, para soar um alegre repicar quando os noivos saíssem.

Um murmúrio vindo da igreja os anunciou, e de lá saíram. Byles estava certo. John Charrington não parecia o mesmo. Havia poeira no seu paletó e seu cabelo estava desarrumado. Parecia ter participado de uma briga, pois tinha um roxo acima da sobrancelha. Tinha uma palidez cadavérica. Mas sua lividez não era maior do que a da noiva, que poderia ter sido esculpida em marfim: o vestido, o véu, as flores de laranjeira, o rosto e tudo mais.

Quando passaram pelos sineiros, que eram seis, pararam e, então, aos ouvidos que esperavam um alegre repicar nupcial, chegou um lento dobre fúnebre.

Uma sensação de horror diante da ridícula piada dos sineiros tomou conta de todos nós. Mas eles próprios abandonaram as cordas e correram da igreja para a luz do dia. A noiva estremeceu e manchas cinzentas surgiram em torno de sua boca, mas o noivo a levou pelo caminho onde estavam pessoas com as mãos cheias de arroz. Mas o arroz nunca foi jogado e o repicar nupcial nunca soou. Insistiu-se em vão que os sineiros remediassem seu engano. Eles protestaram com muitas exclamações sussurradas que, primeiro, iriam para bem longe dali.

Num silêncio sepulcral, o casal entrou no coche e a porta bateu atrás deles.

Então começou o falatório. Uma Babel de raiva, espanto e conjeturas por parte dos convidados e dos curiosos.

— Se tivesse visto o estado dele, senhor — disse-me o velho Forster enquanto partíamos em outro coche __ eu o teria estirado no chão da igreja, senhor, por Deus que teria, antes que se casasse com minha filha!

Naquele instante colocou a cabeça para fora da janela.

— Dirija como o diabo — gritou para o cocheiro. — Não poupe os cavalos.

Foi obedecido. Ultrapassamos o coche da noiva. Evitei olhar para ela e o velho Forster virou a cabeça para o outro lado e praguejou. Chegamos à casa antes dos noivos.

Esperamos à porta, no sol ardente da tarde e em poucos segundos ouvimos as rodas esmagando o cascalho. Quando o coche parou diante dos degraus, o velho Forster e eu os descemos rapidamente.

— Meu Deus, o coche está vazio! Mas…

Abri a porta de uma vez e isso foi o que vi: nem sinal de John Charrington. Somente May, sua esposa, um amontoado de cetim branco deitada meio no chão meio no assento.

— Dirigi direto para cá, senhor — disse o cocheiro, enquanto o pai a retirava nos braços — e juro que ninguém desceu do coche.

Nós a carregamos para dentro da casa ainda com o vestido de noiva e afastamos o véu. Vi seu rosto. Será que o esquecerei algum dia? Branco, branco e contorcido de agonia e horror, com tal expressão de terror que nunca mais vi, exceto em sonhos. O cabelo, seu radiante cabelo louro, lhes digo, estava branco como a neve.

Enquanto estávamos ali parados, seu pai e eu, meio perturbados com o horror e o mistério da situação, um garoto veio da avenida, um mensageiro. Ele entregou-me um envelope laranja, que rasguei ao abrir.

Senhor Charrington jogado fora do cabriolé a caminho da estação às treze e trinta. Morto na hora.

E casou-se com May Forster na igreja de nossa paróquia as quinze e meia, na presença da metade dos paroquianos. “Pretendo me casar vivo ou morto!”

O que teria acontecido no coche a caminho de casa? Ninguém sabe: ninguém nunca saberá. Ah, May! Minha querida!

Antes do fim da semana, colocaram-na ao lado do marido no pequeno cemitério do adro de nossa igreja, na colina coberta de timo: o mesmo em que tinham seus encontros amorosos.

Assim terminou o casamento de John Charrington.

 


 

John Charrington’s Wedding

Edith Nesbit is a dominant figure in children’s literature, but her horror and supernatural fiction is less well known. “John Charrington’s Wedding” seems at first just a little romantic fantasy about love conquering all, but there is more than a touch of Le Fanu’s “Schalken the Painter” and Ivan Turgenev’s “Clara Militch” in this short piece by a woman who was at the center of the intellectual movements of her era.

No one ever thought that May Forster would marry John Charrington; but he thought differently, and things which John Charrington intended had a queer way of coming to pass. He asked her to marry him before he went up to Oxford. She laughed and refused him. He asked her again next time he came home. Again she laughed, tossed her dainty blonde head, and again refused. A third time he asked her; she said it was becoming a confirmed bad habit, and laughed at him more than ever.

John was not the only man who wanted to marry her: She was the belle of our village coterie, and we were all in love with her more or less; it was a sort of fashion, like heliotrope ties or Inverness capes. Therefore we were as much annoyed as surprised when John Charrington walked into our little local Club — we held it in a loft over the saddler’s, I remember — and invited us all to his wedding.

“Your wedding?”

“You don’t mean it?”

“Who’s the happy fair? When’s it to be?”

John Charrington filled his pipe and lighted it before he replied. Then he said, “I’m sorry to deprive you fellows of your only joke — but Miss Forster and I are to be married in September.”

“You don’t meant it?”

“He’s got the boot again, and it’s turned his head.”

“No,” I said, rising, “I see it’s true. Lend me a pistol someone — or a first-class fare to the other end of Nowhere. Charrington has bewitched the only pretty girl in our twenty-mile radius. Was it mesmerism, or a love potion, Jack?”

“Neither, sir, but a gift you’ll never have — perseverance — and the best luck a man ever had in this world.”

There was something in his voice that silenced me, and all the chaff of the other fellows failed to draw him further.

The queer thing about it was that when we congratulated Miss Forster, she blushed and smiled and dimpled, for all the world as though she were in love with him, and had been in love with him all the time. Upon my word, I think she had. Women are strange creatures.

We were all asked to the wedding. In Brixham everyone who was anybody knew everybody else who was anyone. My sisters were, I truly believe, more interested in the trousseau than the bride herself, and I was to be best man. The coming marriage was much canvassed at afternoon tea-tables, and at our little Club over the saddler’s, and the question was always asked: “Does she care for him?”

I used to ask that question myself in the early days of their engagement, but after a certain evening in August I never asked it again. I was coming home from the Club through the churchyard. Our church is on a thyme-grown hill, and the turf about it is so thick and soft that one’s footsteps are noiseless.

I made no sound as I vaulted the low lichened wall and threaded my way between the tombstones. It was at the same instant that I heard John Charrington’s voice, and saw her. May was sitting on a low flat gravestone, her face turned towards the full splendor of the western sun. Its expression ended, at once and for ever, any question of love for him; it was transfigured to a beauty I should not have believed possible, even to that beautiful little face.

John lay at her feet, and it was his voice that broke the stillness of the golden August evening. “My dear, my dear, I believe I should come back from the dead if you wanted me!”

I coughed at once to indicate my presence, and passed on into the shadow, fully enlightened.

The wedding was to be early in September. Two days before I had to run up to town on business. The train was late, of course, for we are on the South-eastern, and as I stood grumbling with my watch in my hand, whom should I see but John Charrington and May Forster. They were walking up and down the unfrequented end of the platform, arm in arm, looking into each other’s eyes, careless of the sympathetic interest of the porters.

Of course I knew better than to hesitate a moment before burying myself in the booking-office, and it was not till the train drew up at the platform, that I obtrusively passed the pair with my suitcase and took the corner in a first-class smoking-carriage. I did this with as good an air of not seeing them as I could assume. I pride myself on my discretion, but if John was travelling alone I wanted his company. I had it.

“Hullo, old man,” came his cheery voice as he swung his bag into my carriage. “Here’s luck; I was expecting a dull journey!”

“Where are you off to?” I asked, discretion still bidding me turn my eyes away, though I felt, without looking, that hers were red-rimmed.

“To old Branbridge’s,” he answered, shutting the door and leaning out for a last word with his sweetheart.

“Oh, I wish you wouldn’t go, John,” she was saying in a low, earnest voice. “I feel certain something will happen.”

“Do you think I should let anything happen to keep me, and the day after tomorrow our wedding-day?”

“Don’t go,” she answered, with a pleading intensity which would have sent my suitcase onto the platform and me alter it. But she wasn’t speaking to me. John Charrington was made differently; he rarely changed his opinions, never his resolutions.

He only stroked the little ungloved hands that lay on the carriage door.

“I must, May. The old boy’s been awfully good to me, and now he’s dying I must go and see him, but I shall come home in time for—” The rest of the parting was lost in a whisper and in the rattling lurch of the starting train.

She spoke as the train moved: “You’re sure to come?”

“Nothing shall keep me,” he answered; and we steamed out. After he had seen the last of the little figure on the platform, he leaned back in his corner and kept silence for a minute.

When he spoke it was to explain to me that his godfather, whose heir he was, lay dying at Peasmarsh Place, some fifty miles away, and had sent for John, and John had felt bound to go.

“I shall surely be back tomorrow,” he said, “or, if not, the day after, in heaps of time. Thank Heaven, one hasn’t to get up in the middle of the night to get married nowadays!”

“And suppose Mr. Branbridge dies?”

“Alive or dead I mean to be married on Thursday!” John answered, lighting a cigar and unfolding The Times.

At Peasmarsh station we said good-bye, and he got out, and I saw him ride off; I went on to London, where I stayed the night.

When I got home the next afternoon, a very wet one, by the way, my sister Fanny greeted me with: “Where’s Mr. Charrington?”

“Goodness knows,” I answered testily. Every man, since Cain, has resented that kind of question.

“I thought you might have heard from him,” she went on, “as you’re to give him away tomorrow.”

“Isn’t he back?” I asked, for I had confidently expected to find him at home.

“No, Geoffrey”—my sister Fanny always had a way of jumping to conclusions, especially such conclusions as were least favorable to her fellow-creatures—”he has not returned, and, what is more, you may depend upon it he won’t. You mark my words, there’ll be no wedding tomorrow.”

My sister Fanny has a power of annoying me which no other human being possesses.

You mark my words,” I retorted with asperity, “you had better give up making such a thundering idiot of yourself. There’ll be more wedding tomorrow than ever you’ll take the first part in.” A prophecy which, by the way, came true.

But though I could snarl confidently to my sister, I did not feel so comfortable when late that night, I, standing on the doorstep of John’s house, heard that he had not returned. I went home gloomily through the rain. Next morning brought a brilliant blue sky, gold sun, and all such softness of air and beauty of cloud as go to make up a perfect day. I woke with a vague feeling of having gone to bed anxious, and of being rather averse to facing that anxiety in the light of full wakefulness.

But with my shaving-water came a note from John which relieved my mind and sent me up to the Forsters’ with a light heart.

May was in the garden. I saw her blue gown through the hollyhocks as the lodge gates swung to behind me. So I did not go up to the house, but turned aside down the turfed path.

“He’s written to you too,” she said, without preliminary greeting, when I reached her side.

“Yes, I’m to meet him at the station at three and come straight on to the church.”

Her face looked pale, but there was a brightness in her eyes, and a tender quiver about the mouth that spoke of renewed happiness.

“Mr. Branbridge begged him so to stay another night that he had not the heart to refuse,” she went on. “He is so kind, but I wish he hadn’t stayed.”

I was at the station at half past two. I felt rather annoyed with John. It seemed a sort of slight to the beautiful girl who loved him that he should come, as it were, out of breath, and with the dust of travel upon him, to take her hand, which some of us would have given the best years of our lives to take.

But when the three o’clock train glided in, and glided out again having brought no passengers to our little station, I was more than annoyed. There was no other train for thirty-five minutes; I calculated that, with much hurry, we might just get to the church in time for the ceremony; but, oh, what a fool to have missed that first train! What other man could have done it?

That thirty-five minutes seemed a year as I wandered around the station reading the advertisements and the time-tables, and the company’s by-laws, and getting more and more angry with John Charrington. This confidence in his own power of getting everything he wanted the minute he wanted it was leading him too far. I hate waiting. Everyone does, but I believe I hate it more than anyone else. The three thirty-five was late, of course.

I ground my pipe between my teeth and stamped with impatience as I watched the signals. Click. The signal went down. Five minutes later I flung myself into the carriage that I had brought for John.

“Drive to the church!” I said as someone shut the door. “Mr. Charrington hasn’t come by this train.”

Anxiety now replaced anger. What had become of the man? Could he have been taken ill suddenly? I had never known him have a day’s illness in his life. And even so he might have telegraphed. Some awful accident must have happened to him. The thought that he had played her false never — no, not for a moment — entered my head. Yes, something terrible had happened to him, and on me lay the task of telling his bride. I almost wished the carriage would upset and break my head so that someone else might tell her, not I, who — But that’s nothing to do with this story.

It was five minutes to four as we drew up to the churchyard gate. A double row of eager onlookers lined the path from lych-gate to porch. I sprang from the carriage and passed up between them. Our gardener had a good place near the front door. I stopped.

“Are the waiting still, Byles?” I asked simply to gain time, for of course I knew they were by the waiting crowd’s attentive attitude.

“Waiting, sir? No, no, sir; why, it must be over by now.”

“Over! Then Mr. Charrington’s come?”

“To the minute, sir; must have missed you somehow, and I say, sir,” lowering his voice, “I never seen Mr. John the least bit so afore, but my opinion is he’s been drinking pretty free. His clothes was all dusty and his face like a sheet. I tell you I didn’t like the looks of him at all, and the folks inside are saying all sorts of things. You’ll see, something’s gone very wrong with Mr. John, and he’s tried liquor. He looked like a ghost, and in he went with his eyes straight before him, with never a look or a word for none of us, him that was always such a gentleman!”

I had never heard Byles make so long a speech. The crowd in the churchyard were talking in whispers and getting ready rice and slippers to throw at the bride and bridegroom. The ringers were ready with their hands on the ropes to ring out the merry peal as the bride and bridegroom should come out.

A murmur from the church announced them; out they came. Byles was right. John Charrington did not look himself. There was dust on his coat, his hair was disarranged. He seemed to have been in some row, for there was a black mark above his eyebrow. He was deathly pale. But his pallor was not greater than that of the bride, who might have been carved in ivory — dress, veil, orange blossoms, face and all.

As they passed, the ringers stopped — there were six of them — and then, on the ears expecting the gay wedding peal, came the slow tolling of the passing bell.

A thrill of horror at so foolish a jest from the ringers passed through us all.

But the ringers themselves dropped the ropes and fled like rabbits out of the church into the sunlight. The bride shuddered, and grey shadows came about her mouth, but the bridegroom led her on down the path where the people stood with the handfuls of rice; but the handfuls were never thrown, and the wedding-bells never rang. In vain the ringers were urged to remedy their mistake: They protested with many whispered expletives that they would see themselves further first.

In a hush like the hush in the chamber of death, the bridal pair passed into their carriage and its door slammed behind them.

Then the tongues were loosed. A babel of anger, wonder, and conjecture from the guests and the spectators.

“If I’d seen his condition, sir,” said old Forster to me as we drove off, “I would have stretched him on the floor of the church, sir, by Heaven I would, before I’d have let him marry my daughter!”

Then he put his head out of the window.

“Drive like hell,” he cried to the coachman. “Don’t spare the horses.”

He was obeyed. We passed the bride’s carriage. I forbore to look at it, and old Forster turned his head away and swore. We reached home before it.

We stood in the hall doorway, in the blazing afternoon sun, and in about half a minute we heard wheels crunching the gravel. When the carriage stopped in front of the steps, old Forster and I ran down.

“Great Heaven, the carriage is empty! And yet —”

I had the door opened in a minute, and this is what I saw — no sign of John Charrington; only May, his wife, a huddled heap of white satin lying half on the floor of the carriage and half on the seat.

“I drove straight here, sir,” said the coachman, as the bride’s father lifted her out; “and I’ll swear no one got out of the carriage.”

We carried her into the house in her bridal dress and drew back her veil. I saw her face. Shall I ever forget it? White, white and drawn with agony and horror, bearing such a look of terror as I have never seen since except in dreams. And her hair, her radiant blonde hair, I tell you it was white as snow.

As we stood, her father and I, half mad with the horror and mystery of it, a boy came up the avenue — a telegraph boy. He brought the orange envelope to me. I tore it open.

Mr. Charrington was thrown from the dog-cart on his way to the station at half past one. Killed on the spot!

And he was married to May Forster in our parish church at half past three, in the presence of half the parish.

“Alive or dead I mean to be married!”

What had passed in that carriage on the homeward drive? No one knows — no one will ever know. Oh, May! Oh, my dear!

Before a week was over, they laid her beside her husband in our little churchyard on the thyme-covered hill — the churchyard where they had kept their love-trysts.

Thus was accomplished John Charrington’s wedding.

 

Referências

NESBIT, Edith. John Charrington’s Wedding. In: KING, Stephen; BARKER, Clive et al. The dark descent. New York: Tom Doherty Associates, 1987. p. 203-208.