Booktubers – a crítica literária na internet

Dados da edição:

Mafuá, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 25, 2016. ISSNe: 1806-2555.

Como citar este texto?

Com o avanço das tecnologias, uma das grandes preocupações com relação à educação era se os jovens abandonariam os livros por seus tablets, smartphones e notebooks. É verdade que a concentração para parar e ler um livro com tantas distrações dentro de casa requer esforço numa era tão tecnológica, porém jovens ao redor do mundo não só encontraram um meio de vincular literatura e tecnologia como também de democratizar a crítica literária no século XXI – esses jovens são mundialmente chamados de booktubers (adaptação de youtuber – pessoas que postam vídeos em seus canais no YouTube).

Os booktubers começaram a se popularizar em países anglo-saxões, no final da década passada, e vêm crescendo em número e força com os anos. Eles leem os livros que têm vontade e dão sua opinião sobre o que leram em vídeos que postam em seus canais no YouTube para interagirem com seus seguidores. Há, inclusive, interações entre os próprios booktubers como maratonas literárias, read along (duas ou mais pessoas lerem o mesmo livro), tags (jogos sobre o mundo literário), amigo secreto literário, entre outros. É possível interagir com esses jovens críticos por outras redes sociais como Twitter e Facebook, e muitas vezes há caravanas para a bienal do livro organizadas por intermédio desses produtores de conteúdo. Além do conteúdo literário, os booktubers de mais sucesso geralmente investem em imagem, som e edição de qualidade, o que torna o vídeo mais apelativo e de fácil compreensão pelo uso dos cortes, que consistem em retirar hesitações e falas erradas, o que deixa o vídeo curto e direto.

No Brasil o número de booktubers vem crescendo desde que Tatiana Feltrin inaugurou a moda aqui com seu canal Tiny Little Things, que já ultrapassou 175 mil inscritos. É importante frisar que cada booktuber tem seu próprio gosto literário, portanto existem os que gostam de best sellers, de clássicos, de literatura estrangeira, etc. Outros canais populares são o Cabine Literária, formado por um grupo de amigos que falam de diversos assuntos relacionados a literatura; a brasiliense Verônica Valadares possui o canal Vevsvaladares que é recheado de histórias clássicas; o canal Literature-se pertence à Mel Ferraz que além de resenhar sobre os livros que leu também conta sobre sua vida acadêmica e os textos pedidos para as aulas. Alguns canais estrangeiros também são conhecidos no Brasil, esse é o caso de Peruse Project, um canal americano, e do holandês (gravado em inglês) Books and Quills.

Dentro da própria UFSC existem alunos que possuem canais literários como Luiz Filipi Schveitzer, graduando de Letras Português, com o canal Efeitos Literários; Cecília Cruz, também aluna de graduação do curso de Letras Português, com seu canal Letras de Cecília; e Rodrigo Luis, graduando de Letras Alemão, com o Estante Cheia.

O sucesso dos booktubers possui um lado muito positivo que é a disseminação de uma nova crítica literária sem compromisso, com palavras simples e opiniões sinceras. Isso leva a literatura para um lado muito pessoal, o que é extremamente útil no Brasil, um país que aprende a ter desprezo pela literatura, muitas vezes devido ao tratamento dado a essa disciplina nas escolas. Os jovens brasileiros começam a ter gosto pela leitura e aprendem a expressar suas ideias sobre os livros sem o peso de uma nota de prova podando-lhes as opiniões.

Confira uma seleção de canais de booktubers e explore também esse universo: