Sinto fome

Guilherme Araldi

Dados da edição:

Mafuá, Florianópolis, Santa Catarina, Brasil, n. 30, 2018. ISSNe: 1806-2555.

Como citar este texto?

E eu dizia “oh man, i don’t know”, olhava de canto de olho para todos, ei ei ei, venha me dar um abraço, “oh man, i don’t know, so sad sad sad”. A cada passo um tic tac diferente do tempo me transpassava e pode crer, creio naquilo que estou falando, creia em mim, eu não abracei ela nem ele nem o tio deles, nem vou abraçar, pode crer. Acredita. Então acordei em casa, na sala para ser mais especifico, meus braços cheios de cicatrizes muitas de queimaduras de cigarros, eu era apaixonado pela dor e ainda falo para ela, oh dor escute minha suplica meu amor dor, queime-me mais uma vez, venha para minha casa me abrace me ame me faça esquecer virgulas e acentos para me sentar talvez venha dor me faça perder a cabeça me marque com seu ardor para se lembrar de mim e eu me lembrar de você deixe algo comigo e venha buscar sem avisar. Eu amava a dor, e ela me amava, talvez fossemos o casal perfeito escolhido a dedo por deus deuses santos e santas. Acordei com a dor, a dor de não ter mais aquele ardor fulvo encostando no meu braço, enfim, para me consolar, escolho uma camisa fulva maravilhosa, com bolinhas brancas espalhadas por toda sua extremidade e sua extrema facilidade de me deixar mais elegante e confiável, amarelo me fazia bem, por isso gostava daquilo e aquilo gostava de mim, como um beija flor flutuando por rosas amarelas algumas rosas rosas ou vermelhas e até a mais negra e bonita rosa pélvica que eu já conheci, talvez tenha esquecido algumas virgulas denovo (ou de novo), realmente não em vem `^a mente como se escreves direito, talvez esteja com um pouco de sono, já mencionei Ueu acho), que acabara de acordar depois de algumas coisas estranhas e entorpecidas e alguns abraços deixados para trás, já falei, não¿ enfim, se não, acabo de comentar, na verdade já falei sim, até citei a dor meu grande amor que me causa pavor e ardor e algumas coisas que terminarem com “Or”. Agora ponho calça ou bermuda, é uma dúvida importante, no momento em que acordo são 2 da tarde, está quente, o sol veio para rachar a cuca meu amigo, my bruda, mas como me conheço e sou um pouco friolento (realmente não sei se essa palavra existe, se bem que todas palavras são uma construção sociológica como a mandioca é uma construção de deus e foda-se sua evolução e bla bla bla bla, DEUS ACIMA DE TODOS), ENFIM, como estava dizendo, pode esfriar mais tarde e com certeza sentirei frio, posso fazer um investimento futuro e passar calor por algumas horas (talvez duas ou mais), e não sentir frio num futuro próximo ou não….. hmmmm…. vou por uma calça, agora a dúvida o que combina com amarelo fulvo maravilhoso que me deixa feliz, quero algo escuro, se não vou parecer muito feliz e isso é um tanto quanto presunçoso, eu odeio pessoas muito felizes, grotesco e sublime tem que haver o equilíbrio, ora porra, azul escuro ou preto escuro obviamente, se bem que não tem muita diferença quando anoitecer, se eu por azul escuro vai parecer que pensei em tudo isso e as pessoas ficarão tagarelando coisas sobre mim, nossa olha como ele é antenado na moda ele se importa com cores ele veste azul escuro olha como ele é chique oh ohnnnn ownnn ele é tão ownnnn. Não quero ninguém falando isso de mim, também, quero que se foda vou de preto, não corro o risco de sofrer tais injurias, pessoas idiotas, principalmente aquele né pazinho, meu filho é cabra macho é muito comedor de bocetas olha como ele é fodedor rurururu hufuhuf, não sabe da metade, otario, eu chupo pintos também faço muito glub glub.

Não me resta dúvida do que vou calçar, all star tenho que parecer hipester é isso que os jovens gostam e de dar o cu, dar o cu virou uma religião, eu não dou o meu e nem como cu, sai bosta de la, B O S T A, deus me livre disso, deus não gosta de badboys tatuados fodedores de cu.

Pode crer, estou pronto esbelto e maravilhoso, o senso de humor AFIADO, e o cabelo, o cabelo que cabelo cheiroso vem dar uma cheirada (eu não tenho caspa é só cocaína mesmo), talvez você fique locão comigo ihul, mas hoje não, hoje eu sou um homem jovem adulto sério, estou indo numa entrevista de emprego amarelado fulvo pretidão nas calças meus amigos, antes fico doidão agora fico empregado, é por isso, isso que eu queria falar, estou num momento muito importante da minha vida, indo conseguir um trabalho para comer muito miojo e beber suco de mangaaaaaaaaaaaaaaa, manga é uma delícia eu amo manga e a cor de manga camisa com manga manga comprida manga manga amo e amo com força, comer muita batata também e banana porque banana é muito fulva amarelada ou esverdeada natureza. Só que ontem eu deveria ter vindo direto para casa, mas acabei me perdendo entende¿ acabei caindo na cachaça artesanal alambicada, valeu a pena, pois, estou cem por cento de cem, muito empolgado para conseguir esse emprego e acabar mais vezes depois do fim do expediente em cachaças alambicadas que me biquem e beijinhos beijinhos por toda noite, esqueci de fazer a barba isso é muito prejudicial o que o entrevistador pensara de mim, nossa que delinquente vestido fulvo de barba grande e óculos e que olhos grande ele tem e dedos ágeis meu deus contratado, aposto que ele pensara isso de mim, vou mostrar meus dedos ágeis, talvez depois mostrar-te-ei meus dedos ágeis também, OLHA ESSA MESÓCLISE, serei contratado com toda certeza, depois disso vou num bar com ele e vou chupar ele todo hihihihihi, mentira, sou menino homem muito macho homem, respeitoso tradicional tenho arma e porto ela pois sou homem de bem, clip clop recarregada  cuidado que eu sou o perigo mas sou do bem bom. Quero dizer, sim, vou para um bar de qualquer jeito, e também digo mais, todos esses pensamentos se passaram em alguns minutos caminhando entre cheiro de sovaco dentes não escovados e cheiro de camarão frito de Florianópolis (nem menciono o cheiro de peixe que é rotina na minha maldita vida boa), na verdade, eu deveria ter trago um fone de ouvido assim escutaria lamentos e ternos gemidos e gritos mais gritos, pelo menos não passaria pelo centro com música clássica de fundo, muito caetano mpb gilbertinho meu amigo, eu quero gritos, gemidos cu fodidos, não me venha com melodias e chuvas de dó re mi, saia pra lá com essa sua escala penta blues ou seja la o que indiana for módulos gregos e os caralhos imensos que vejo nessas montanhas, não quero isso, já falei, quero cu cu cu cu galinhas cocorico. E é tão, mas tão gratificante poder passar e ver todas essas pessoas que não se importam com você, que não sabem dos seus problemas, felicidades, tragédias e do seu cu hihihi (alguns sabem, oh se sabem), ser insignificante no meio de tantos é isso o que eu mais pedi e implorei a deus deusa ou seja lá quem for lá em cima aposto que deus é negro deusa negra a pele é negra, sabe, e ele também não liga para você para nós, mas ligou para mim agora porque atendeu minha prece, obrigado amém, era isso que eu queria, ser insignificante uma formiga no meio de bilhões mais um “a” jogado numa frase constituídas por ditongos e muita mesóclise, ora ora ora, parece que meu único amigos é esse deus deusa negro negra que me escuta e isso não é ruim, não preciso de mais ninguém só dele, como não preciso de você que está lendo e fica irritadinho com o que eu escrevo, porque eu sei que fica, ora, oh, ownnn, vai te foder, pode crer¿ não vou usar mais virgulas também, e usei porque não preciso seguir o que digo para te agradar e se eu conjugar algo errado o problema é seu, todinho seu, ora, seu irritadinho que continuou lendo até agora e eu sei que continuará muito mais e depois percebera o tempo que perdera da sua vida lendo linhas e mais linhas (contando essas especialmente escritas para você) de merdas e mais merdas e mangas fulvas mangas maravilhosas calçando calças e vestindo tênis, e ainda terá eu sei que terá a ousadia miserável de achar minha persona e falar um montão de coisas e como eu errei aqui e aca e nossa como você é um inútil que não sabe nem escrever em Geraldo, Geraldo, nossa Geraldo, tinha até me esquecido de mencionar meu nome Geraldo, eu sou o Geraldo e podem me chamar de Geraldo; e como eu ia dizendo, só deus deusa negro negra me escuta e isso já é o suficiente eu gosto disso, e outra, se você está lendo isso, provavelmente só você me lê também, nem o deus deusa negro negra me lê eu sou desprezível, realmente desprezível nessa questão de escrita você tinha e tem total razão, na verdade uma razão remota, desculpa me contradizer toda hora, é que parei para ler o que vinha escrevendo e tem algo de belo nisso, acho que minha caligrafia, é deve ser isso, e ora ora, parece que alguém a não ser você leu isso, exatamente, eu mesmo; enfim, eu sempre perco o foco, se você está lendo e só você, tenho total certeza que és meu público perfeito, o público que eu quero, só você e eu me sinto melhor falando sozinho com alguém, não gosto de muitas pessoas me rodeando me tocando, me cheirando pode, gosto de ser cheirado, mas só eu e você, pra mim isso é perfeito, vamos, estou quase chegando na entrevista, agora, diga-me, és homem mulher sapato cachorro cafetão, tu sabe que pode se abrir comigo também, eu te escutarei, e te falarei “oh mannnnnnnn, pega, toma um gole, dá uma bola uma cheirada vamos” enquanto tu não me responde quero te dar uma explicação básica, bem básica eu gosto muito do oh ohhhh, sabe, e quero deixar a vossa linda e mirabolante capacidade de racionar que discirna o que cada “oh” significa, e meu caro amigo único amigo, eu digo-te que ele detém vários significados, posso ajudar, pois, sei que não és muito capacitado intelectualmente, ou és¿ não te conheço direito, mas vai, alguns são de suplica, por sinal, meus preferidos ohhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, outros são urros, como “ora” só que mais grosso e grave oh. Que prédio e agencia imensamente grande, eu não gosto de coisas pela metade vocês gost

 

E olha que prédio grande, quantos vidros e mais vidros Everest de vidros, refletia tudo e tudo se continha lá, fico pensando e me perco me perco muito quando penso nisso, quantos sonhos perdidos em pessoas sentadas oito horas por dia fazendo planilhas do Excel se perdem dentro desse maravilhoso prédio de vidros e mais vidros, quantas mães e pais perdem suas vidas a cada segundo e a cada segundo uma tecla se vai na planilha e a cada segundo eu perco minha vida e meus gozos aqui também teclando freneticamente como o dínamo de uma maquinaria qualquer que provavelmente está funcionando a minha esquerda muito embora na arquitetura dessa parte da cidade não teria espaço para algo tão velho como condutor de energia continua provavelmente há alguma outra coisa, outra tecnologia e invenção muito mais engenhosa que me surpreenda muito e muito me surpreende porque eu não em surpreendo fácil, ui, cheguei a perder o ar só de pensar nisso, deus me livre ser essa tecnologia. Ando, entro pela porta, bom dia, senhorita que trabalha mais de sessenta horas por mês (eu chutei um número, não quero contar agora, me respeitem), preciso me dirigir ao setuagésimo andar vou trabalhar no céu como um querubim alvo de deus e deusa e ter uma linda arpa cantigas e mais cantigas entoar e maravilhar todos os dias a vida da minha amada; uiuiui elevador caixão de ferro uiuiui, não entro mas entro porque tenho que entrar e se entro quero e trabalho e se quero o trabalho eu consigo, sou menino esforçado jovem adulto também velho talvez e consigo o que eu quero com esforço porque sou esforçado; aposto que ele me perguntara com uma voz açoitada de aço forte para me machucar, então então o que trarás de bom para minha empresa, responderei, muito meigo como sempre há de ser, mil e mil gozos para sua empresa, gozos quantas vezes já gozastes hoje, caro, patrão, quantas vezes fizestes alguém gozar e goze goze em mim para mim vamos, estamos só nós dois, goze, não se prenda gargalhe e goze, felicidade talvez, mas felicidade não importa, felicidade é algo relativo e momentâneo a tristeza sim perdura para sempre e como eu me taco na melancolia e gozo com ela também, aiaiaiai. Será que dou duas batidas na porta ou mais, se eu der duas vou parecer desinteressado e mais, talvez, parece superestimado, então, a melhor escolha seriam várias batidas frenéticas pautadas de ritmo e ritmo não me falta, mexendo freneticamente no som da das batida toc, toctoc, toc, toctoctoc, tototototootoc, e bato ferozmente como alguém que quer entrar e tirar dele tudo que há de bom e justo, tirar dele aquele terno de grife e gritar com ele nu no meio da rua, e chorar enquanto o céu chora e todos choramos, entro e não reparo no corredor pelo qual passei, só reparo na porta preta com listras brancas a cortando de fora a fora (e não parava de pensar com qual ritmo bateria naquela porta fazendo meu bombop jazz megalomaníaco), paro na frente da dita porta novamente eu gosto muito de repetir as palavras assim você não se esquece do que estou falando, estou falando da porta preta com listras brancas que corta ela de fora a fora, isso me lembra um fato muito interessante da minha infância, só que não quero contar agora, estendo minha mão, eu confesso, fiquei um pouco nervoso nessa hora, não agora, no caso, agora estou escrevendo isso, mas quando estendi minha mãe lentamente até a porta preparando minhas batidas ritmadas provavelmente farei uma ressonância e a batida imitara meu coração glob glob, jorrando sangue por toda sala como um filme do Tarantino e vida longa, viva longe da vida longa deus deusa negro negra me ajudou novamente, alguns segundos antes de eu bater na porta, sim, alguns segundos antes enquanto eu estendia minha mão eu vi, e vi, e quando vi eu vi e notei e dai sim estendi minha mão para a campainha, graças a deus deusa negra negro que ela ele seja louvado por todo sempre, imagina como iria pegar mal se eu tivesse feito batidas ritmadas como um bom percussionista de carnaval enquanto no lado direito tinha uma campainha (que obviamente estava lá porque algum dia outra pessoa vestida de camisa fulva fez alguma batida ritmada na porta que feriu com os sentimentos dele, ah nãoooo, você bateu ritmadamente na minha porta, NA MINHA PORTA PRETA CORTADA POR LISTRAS BRANCAS DE FORA A FORA¿¿¿¿¿¿¿¿¿¿¿) e por isso existe uma campainha lá, e se ela existe eu devo aperta-la e não bater na porta preta riscada fora a fora por um branco alvo, então devo apertar ela e aperto, e que zunido chato chato chato, me lembravam os tempos ruins da minha vida e isso era especialmente melancólico. A porta se abriu lentamente, posto de pé logo atrás dela (aparecendo de pouco a pouco) um rico dono do Estado que é dono do estado de cada trabalhador, dono dos índios que estão nas suas tribos donos do nosso cu, olha, a barba dele também não estava feita, usava um terno azul escuro camisa preta por baixo e gravata preta, calça combinando (azul escura também), cinto com fivela dourada (parecia couro de cobra), e um sapato preto com detalhes em prata o diabo feste prata não prada, olho diretamente para os olhos dele, estendo minha mão (lentamente novamente, eu gostava de estender minha mão lentamente) encho o peito de ar para entoar um “olá” tintilante e belo algo meio metálico também, e faço, faço tudo que falei; ele me responde altura e convida-me para sentar-me na cadeira de fronte a mesa dele, e obviamente, ele senta na cadeira atrás da mesa. Então, Geraldo do que mesmo¿ Geraldo Geraldo, senhor, justamente Geraldo; Geraldo Geraldo então, bela camisa branca com manchas amarelas, gostei dela; não, não, senhor, não, é uma camisa fulva amarela com bolinhas brancas, você entendeu errado; é…. mas a partir de hoje é branca com mancha amarela, e me traga já um relatório sobre a contabilidade da empresa; mas, senhor, eu me candidatei para vaga de faxineiro; POUCO ME IMPORTA, SAIA DAQUI, CONTRATADO, VAMOS PARA O BAR MAIS PROXIMO. Acreditam nisso¿ Eu esperava um diálogo longo, repleto de metalinguagem e fodeção de cu, mas acabou por ai, estou contratado e vestido de branco com machas amarelas, o santo patrão que manda, santificado seja vosso nome, santificado seja o patrão, 18 horas de trabalho para um pão, santo esse patrão; e mais, já beiravam as 22 horas, eu não sei como o tempo passou tão rápido, como ele passa assim por mim; sento-me na escadaria do rosário, oro para todos os santos, como a hóstia doce que deus me dera logo cedo, levanto-me, e dirijo-me para o bar mais sórdido da cidade, a noite e o seu véu caíram sobre mim, explosões de cores e distorções abraçavam-me na rua escura da cidade, as vielas me observavam e eu as observava de volta, o queijo podre jogado na esquina parecia minha alma jogada na sarjeta do meu corpo, as paredes derretiam e insetos gigantescos e fantasmagóricos passavam por mim (eu me assustava), corria e corria para longe, junto com uma lagrima eu caia sobre a bebida, um copo dois copos oitenta e sete copos, sessenta e oito minutos em 2 segundos, um piscar de olhos, um grito ecoava e com ele eu também berrava, arriava as calças e pensava na morte e a morte pensava em mim e me esperava, ela era alva e bela, de braços abertos a abraçar-me “e se tudo isso for um ciclo sem fim da minha mente, uma viagem ou viajem de algo, se tudo não existe, na verdade, tudo existe para mim a partir do momento que eu ponho meus olhos nisso, quando estou de costas para você, você não importa mais, não existe no meu mundo, está viva e morta para mim, vamos me abrace por favor, eu te imploro”,  vejo todos e todos estão no céu eu estou no mar, essa é a diferença, enquanto outros voam eu nado, o ar deles me sufoca… daqui posso ver seu sorriso brilhar nas estrelas, isso me machuca quanto mais eu te olho mais sinto dor, quanto mais eu te olho mais me queimo, e eu amo me queimar, amo sentir dor e o seu ardor que toca minha pele. SAIA NÃO VOU TE ABRAÇAR, por mais alva e bela que você seja, por mais que esteja me esperando de braços abertos, morte sua otaria, não vou te abraçar nem você nem sua tia; tento chegar perto de você e me queimo, ai ai ai. I don´t know man, a vida não faz muito sentido pra mim, é tudo um ciclo de merda. Eu não vou te abraçar e esteja dito, pode crer. Acordo, para ser mais exato deitado na sala da minha casa, penso em preparar um café, na verdade penso muitas coisas, muitas mesmo, e a maioria sobre o amor, como eu amo amar a dor… mas tenho um compromisso, embora não me lembre muito bem, tenho uma entrevista se não em engano, me visto de laranja tangerina alaranjado, hmhmhmhm suco que gostoso, vou tomar suco de laranja, laranja com bolinhas brancas, maravilhoso.

Sinto fome
Sinto cede
Sinto o ardor de tudo que me queima
Sinto dor
Sinto amor
Sinto corpos desnudos tocando-me
Sinto porque estou vivo
Não poderia ser diferente, eu sinto,
E quero sentir
Sinto lábios perfurando meu coração
Sinto o coração se amarrando em coração¿
Sinto e gosto
Sinto e cada vez quero mais
Sinto o algo alvo das manhãs
Sinto com cinco, sete, oitenta
Sentidos,
Sinta a brisa e os ventos
Sinto o uivo das noites no relento,
Sinto a chuva que toca minha pele
E o cheiro do café que está pronto,
Sinto seu toque que escorre por mim
Sinto a sua pálpebra vidrada na minha
Sinto seu ódio, sinto
Sinto porque sinto
E ainda sinto.